quinta-feira, 19 de abril de 2007

Bulhão Pato - III




















Bulhão Pato retratado por Columbano
(Columbano, até 27 de Maio no Museu do Chiado)

Nunca Mais!...

Bulhão Pato (1829-1912)

Nunca mais! Quem tal diria?
Tu nunca mais hás-de amar.
Que fruto ou flor há-de dar
O tronco a que o fogo, um dia,
A folha e seiva abrasou,
Se a vida se lhe acabou?
Amar!...Nem sonhar, talvez!
Embora sejas mulher
Não hás-de tornar a ter-
Que se tem só uma vez-
A vida, a morte, a ventura
Daquela nossa loucura!

Lembras-te bem?
À hora do entardecer,
Começou a escurecer.
O norte agudo do monte
Vinha caindo às lufadas,
E nisto as ondas picadas
Já começando a espumar
E a recrescer empinando-se
Até que enfim sobre a costa,
Rugindo mais ao curvarem-se,
Na costa vinham quebrar!-
Que noite, que céu, que mar!

E nós nessa solidão!
Com que insolente ufania
A tua fronte se erguia!
Quando ao clarão dos relâmpagos
Se rasgava a escuridão,
Como em tua face eu via
A palidez da paixão!-
Porque o teu sangue agitado
Confluia ao coração,
Que batia alvoraçado,
Que no peito não cabia...
Nem com tanto amor podia!

Não podia; e nos meus braços,
Quebrada, desfalecida,
Te veio a aurora encontrar-
Serenada a tempestade,
Mudo o vento e quedo o mar!
Quem fundiu assim a vida
Num só beijo-quem amou
Com tal delírio e logrou
Num momento a eternidade...
Pensa e diz-me a verdade:
-Inda outra vez pode amar?!

2 comentários:

  1. Para o meu namorado ( No dia dos Namorados)

    Um dia a cor dos teus olhos
    Foi para mim um abraço
    E fiquei presa de amor
    Caminhei sobre o teu traço.

    Anuncio a quem quiser
    Um simples virar de página
    Pois prisioneira de ti
    Navego à toa e sem margem.

    Ditos, escritos e desejos
    Tenho-os muitos e de sobra
    Mas o sentir da tua alma
    Torna-me sempre uma pobre.

    Pobre de mim que o amor
    Leva-me até o pensar
    Deixa-me num desvario
    Sem rumo e a fraquejar.

    Sorte ou azar já não sei
    que foi o te encontrar
    Amor assim já não há
    Eterno, sem nunca acabar.

    14. Fev. 2006

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  2. Depois disto, sinto-me um tipo com sorte.

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