segunda-feira, 23 de abril de 2007

O Mistério da Ota

A propósito de livros estrangeiros e da História de Portugal, não posso deixar de recordar um curioso episódio em que participou Carlos Ribeiro (1813-1882), um dos pais da arqueologia portuguesa, narrado no livro de Cremo e Thompson, Forbidden Archeology...

Durante as suas pesquisas, Carlos Ribeiro, para sua surpresa, descobriu objectos em pedra feitos pelo homem em estratos geológicos com vários milhões de anos, do Plioceno e do Mioceno (entre a Ota e o Cercal, em Espinhaço de Cão). Em 1872, no Congresso Internacional de Antropologia Pré-histórica e Arqueologia reunido em Bruxelas ele apresentou pela primeira vez ao mundo científico internacional as suas provas e conclusões. As opiniões não foram totalmente a seu favor e mais tarde em 1878, para a Exposição de Paris, o “nosso” Carlos Ribeiro levaria 95 objectos, destinados a provar a sua razão. Apesar de terem sido vários os arqueólogos que corroboraram esses achados, existiam ainda muitas dúvidas.

Em Portugal não existia tradição arqueológica e o nome de um português não era suficientemente conhecido e respeitado e por isso, quando em 1880 Lisboa foi a cidade escolhida para se realizar um novo Congresso Internacional de Antropologia Pré-histórica e Arqueologia, Carlos Ribeiro, a “jogar em casa” logo aproveitou para apresentar mais objectos tirados de extractos geológicos do Mioceno...

Estando em Lisboa, foi nomeada uma comissão de cientistas para inspeccionar o local de onde Carlos Ribeiro tinha recolhido aqueles objectos. Foram de comboio até ao Carregado e dirigiram-se para a Ota. Foi a cerca de 2Km, junto a Monte Redondo que por indicação de Carlos Ribeiro os membros da comissão se dispersaram para analisar o local. Alguns membros da comissão encontraram novos objectos de extractos geológicos do mioceno. No livro Le Préhistorique de Gabriel de Mortillet é descrita esta “excursão” à Ota que confirmou a razão de Carlos Ribeiro.

A interpretação de Carlos Ribeiro tem sido contestada mas ainda hoje, existem os vestígios dessas explorações (ver blogota.blogs.sapo.pt/2006/12/ ), e segundo Cremo e Thompson este achado continua a desafiar a cronologia habitualmente considerada como certa para o aparecimento deste tipo de objectos. Na realidade, a Ota encontra-se numa zona que desde há muito tempo desperta o interesse dos arqueólogos.

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