sexta-feira, 8 de junho de 2007

A Casa de Borgonha e Portugal - II


Os Príncipes de Borgonha em Leão

Quando os dois príncipes de Borgonha, Raimundo e Henrique chegam a Leão (antes designado por Reino das Astúrias e donde partiram os cristãos para a Reconquista da Península), eram muito grandes as expectativas sobre os apoios que eles poderiam trazer. São-lhes atribuídas responsabilidades na administração de significativas parcelas do Reino e dadas em casamento as filhas do Rei e ainda mais importante, ficam os seus descendentes com todos os direitos a herdar esses territórios. Afonso VI de Leão aspirava por esta tão favorável aliança.

Assim, Raimundo fica de início com Coimbra, mas revela-se desastrado, acabando por ficar com a Galiza. D. Henrique revela-se mais capaz, pelo que lhe é atribuido um extenso território. Além da fronteiriça e difícil Coimbra (que incluía as actuais Beiras, Litoral e Interior), ficou também com Braga (que incluía os actuais Minho, Entre-Douro e Trás-os-Montes). Ver mapa acima com os territórios de D. Henrique.


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O Projecto de um novo Reino
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Em Borgonha no entanto, os projectos eram diferentes dos de Leão (especialmente visíveis depois da morte de Afonso VI). Enquanto por um lado em Leão, o filho de Raimundo (e Urraca) se tornava no poderoso Afonso VII, monarca da união entre Leão e Castela, é por outro lado aprovada, com o apoio do influente São Bernardo de Clairvaux ou Claraval (de Borgonha), líder da Ordem de Cister e primo de Afonso Henriques a criação da Ordem do Templo. Os primeiros 10 anos da Ordem do Templo, são quase exclusivamente dedicados a Portugal, que em conjunto com a Ordem de Cister, consegue mobilizar cavaleiros cruzados e eclesiásticos para virem para o território que mais tarde viria ser Portugal. São eles a ocupar os novos territórios conquistados. Ver mapa com as praças dos Templários no Centro de Portugal.

É estabelecido um plano. Afonso Henriques, prende a mãe Dona Teresa e assume a liderança do Condado Portucalense, manifestando desde logo o desejo de independência face a Afonso VII. Era difícil a posição do Rei de Leão e Castela: embora muito mais forte e auto-intitulando-se “Imperator Hispaniae” (mais tarde - após 1157 - na sucessão de Afonso VII os reinos de Leão e de Castela voltaram a separar-se), ele nunca poderia fazer a guerra directamente contra os Templários que ocupavam Portugal.

Restava a Afonso VII a sua influência junto do Papa: não era ele o campeão da Cristandade ? Mas a ainda maior influência de São Bernardo e as vitórias de Afonso Henriques contra os mouros acabam por ganhar também essa batalha. O resto é história.

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