quarta-feira, 11 de julho de 2007

Bocage III – O rebelde da Viradeira

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Após o afastamento de Pombal, a rainha D. Maria I, personagem que passou à história com o cognome de Pia, porque era muito religiosa (mas que seria mais de acordo com a realidade se passasse à história apenas com o cognome de Louca, pois sofria de declarada doença mental), vai alterar em 180 graus a direcção da política portuguesa.
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O período de D. Maria chamou-se a Viradeira, porque a monarca resolveu libertar todos os aristocratas presos por Pombal e restaurar a influência da Igreja (Pombal tinha acabado com os “Autos de Fé” e expulso os Jesuítas). A piedosa senhora que pretendia restaurar os Autos de Fé, começou por nomear um super chefe das polícias, de nome Pina Manique para, entre outras incumbências, vigiar todos os perigosos maçons de ideário republicano e pior que isso, críticos da autoridade da Igreja.

Ora, Bocage era precisamente maçon, e não apenas um rebelde por feitio (ver Bocage Maçon de Jorge Morais, ed. Occidentalis, 2007, http://via-occidentalis.blogspot.com/) e Pina Manique não hesitou em mantê-lo preso durante quase 2 anos e meio, o que serviu maravilhosamente como exemplo.
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Apesar da repressão, a sociedade da Viradeira estava longe de ser um exemplo de virtudes. Pelo contrário. William Beckford, conta nas suas cartas, que tendo ido visitar o Marquês de Marialva, o viu chegar da margem sul, julga ele que de visita à capela de algum santo, num escaler de 50 remadores, com uma multidão de “músicos, poetas, toureiros, lacaios, macacos, anões e crianças de ambos os sexos fantasiosamente vestidas”, e acrescenta que ninguém em Inglaterra acreditaria no enorme banquete que viu disposto para ele...
O Portugal de Maria Pia, era um bom lugar para a ociosa vida da aristocracia e refúgio dos nobres de França, em fuga da Revolução Francesa.
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Escrevia Bocage,

Liberdade querida e suspirada,
Que o Despotismo acérrimo condena;
Liberdade, a meus olhos mais serena
Que o sereno clarão da madrugada!
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e perguntava,
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Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
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Por isso, Bocage é o Poeta da Liberdade.

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