domingo, 1 de julho de 2007

A nova poesia de Maria Khépri

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Uma vontade de escrever

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Uma vontade imensa de escrever, de desfazer
os dedos na superfície do papel, conto até
três e o poema nasce, numa água promíscua,
de diabos e deuses, todos se regalando com
a última sede do poema, amanhã, meu caro

O mundo não será o mesmo, este papel terá
percorrido todo o indispensável à vida,
apagando-me deste lugar, e dando lugar
a outro eu, cimentado ainda de outra forma
num papel dispensável como este,

Solene. Será compreendido de trás para a frente
com muito azar, da direita para a esquerda,
com muita sorte. Mas o subconsciente cairá no
empreendimento de lhe dar o devido rumo
assim que a memória se transformar numa aresta.

Ah! Uma vontade imensa de escrever, de ignorar
o cabelo incómodo da realidade, de apagar
todas as frases do possível, e redigir outras,
sabendo que se tornarão imagináveis.
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Em Som de Maria Khépri, 2005. Edições Amores Perfeitos/Poesia.

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