quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O elogio do sal, 1ª parte: um poema.

Quero contribuir para o muito merecido elogio do sal. Todos nós o usamos todos os dias, porque ele dá sabor aos alimentos e durante gerações, antes de existirem frigoríficos, era o melhor meio para conservar o peixe e a carne.
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A homenagem ao sal na forma de um poema, feita pelo grande Branquinho da Fonseca:



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Louvor do sal

Ó salinas de branco à beira-mar!
Onda vestindo azul que foste presa
para o fogo do sol e hás-de acabar
em pedrinhas de neve à minha mesa!

Sal que provaste a boca à bem-amada
quando se soube ao certo do seu nome...
Voltas da alma em lágrimas: ficou-me
de prová-las a boca ressalgada...

Ó sal em barcas a subir o rio!
Sal que, em montes de neve, ao sol do estio,
à beira das salinas te adormentas...

Eis que dás gosto ao gosto da comida,
como o amor dá gosto à nossa vida,
filho do azul do céu e das tormentas!

(Poemas, Branquinho da Fonseca, 1926)

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