segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Memorabília: o single 45rpm da Canção de Madrugar por Hugo Maia de Loureiro


..

.
.

Festival RTP da Canção, 1970. Canção de Madrugar, intérprete, Hugo Maia de Loureiro. A canção foi composta por Nuno Nazareth Fernandes e Ary dos Santos [o mais significativo da letra são as duas últimas palavras, uma crítica da guerra - estamos em plena guerra colonial] e obteve nesse ano a 2ª posição do Festival. O single tem a marca ZipZip, 3006/S. É uma raridade. O lado B dos mesmos autores é a Canção de Amanhecer.
.


De linho te vesti
De nardos te enfeitei
Amor que nunca vi
Mas sei
.
Sei dos teus olhos acesos na noite
Sinais de bem despertar
Sei dos teus braços abertos a todos
Que morrem devagar
.
Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo pode acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer
.
Irei beber em ti
O vinho que pisei
O fel do que sofri
E dei
.
Dei do meu corpo um chicote de força
Rasei meus olhos com água
Dei do meu sangue uma espada de raiva
E uma lança de mágoa
.
Dei do meu sonho uma corda de insónias
Cravei meus braços com setas
Descobri rosas alarguei cidades
E construí poetas
.
E nunca te encontrei
Na estrada do que fiz
Amor que não logrei
Mas quis
.
Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo há-de acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer
.
Então
nem choros nem medos nem uivos
nem gritos nem pedras nem facas
nem fomes nem secas nem feras
nem ferros nem farpas nem farsas
nem forcas nem cardos nem dardos nem guerras

Sem comentários:

Enviar um comentário