domingo, 28 de outubro de 2007

O Terramoto de 1755 - Parte I – Lisboa antes do Terramoto

Lisboa não foi sempre como é hoje. Foi uma cidade magnífica, pois tinha sido já o centro do comércio mundial, com uma burguesia rica, grandes casas apalaçadas, igrejas, conventos, casas reais, etc. Mas, qual Atlântida, a “velha Lisboa, a capital deste maravilhoso reino que assombrou o mundo, sumiu-se debaixo de um montão de ruínas e de cinzas. Da pavorosa catástrofe de 1755 apenas escapou o bairro mais sórdido: a parte mais nobre da cidade, os seus melhores edifícios desabaram e arderam (...) Das ruínas da velha capital surgiu outra cidade mais bela. O cataclismo foi o iniciador da restauração de Lisboa. As ruas tortuosas, os estreitos becos deram lugar a novas ruas alinhadas e espaçosas. Mas os edifícios não foram substituídos e os que se levantaram, em geral, foram muito inferiores na magnificência aos que desabaram.”
Em Lisboa, de Alfredo Mesquita, Ed. Arquimedes Livros
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E não se perderam apenas a grande maioria dos edifícios, grandes e pequenos, que ruiram ou ficaram sem condições para voltarem a ser habitados. Perderam-se obras de arte de grandes artistas, quadros, esculturas, riquezas em recheios de palácios, etc. Perderam-se documentos de valor histórico incalculável, como foi o caso dos documentos e dos mapas relativos à cartografia dos descobrimentos. Destruiu-se para sempre uma parte da nossa memória. No dia do terramoto, Lisboa era uma das principais cidades da Europa: tinha 250 mil habitantes, em tamanho era a quarta cidade europeia.
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Calcula-se a perda em cerca de 85% de todos os edifícios, incluindo 40 igrejas, 35 das quais caíu em cima dos crentes que enchiam os recintos durante a missa daquela hora. Das 20 mil casas da cidade só 3 mil escaparam em condições de serem habitadas. Só num dos vários palácios que ruiu, perderam-se 200 quadros de mestres famosos, como Rubens e Ticiano, uma biblioteca de 18 mil volumes e ainda mil manuscritos. A biblioteca real com 70 mil livros perdeu-se igualmente, bem como o tristemente célebre palácio da inquisição [no local onde hoje é o Teatro Nacional D. MariaII], a torre de São Roque, a igreja de São Paulo, a Catedral, a Ópera Real (acabada de construir), a igreja de São Nicolau, o Patriarcado, etc, etc.
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A Lisboa das descobertas e das especiarias, que vira partir as naus do Gama e as grandes armadas, nunca mais voltaria a ser como era antes do cataclismo.

2 comentários:

  1. É lamentável o que aconteceu a Lisboa.

    Enfim, temos de nos conformar :\

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  2. sim sem duvida que é e sempre sera uma cidade linda

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