quarta-feira, 31 de outubro de 2007

O Terramoto de 1755 - Parte II - O fim de um mundo

Era o dia 1 de Novembro, dia de Todos os Santos. Importante dia religioso para os Católicos. Para mais tarde estavam marcados, como era habitual nesse dia, "Autos de Fé". As Igrejas estavam cheias para as missas das 9. A terra começou a tremer violentamente às 9.40 e durou 8 minutos e meio. Há descrições do chão formar ondas, como se de um mar se tratasse. O barulho era como um ronco, assustador e indescritível. Abriam-se grandes fendas e buracos no chão donde saiam gases e das derrocadas saiam poeiras. O ar estava escuro. Gritos por toda a parte. As águas do Tejo começam a recuar, cerca de uma centena de metros, mostrando o leito lodoso do rio. Muitas pessoas conseguem sair das pequenas ruas apertadas para o espaço livre do rio (o casario estava mesmo junto à margem). Alguns minutos depois surge uma onda gigante (de 5 a 10 metros) que tudo arrasa, desde a zona da Junqueira até à Baixa, passando por Alcantara. Na parte da tarde, tendo passado o grande terramoto e o tsunami, Lisboa era um gigante braseiro. O incêndio dura 6 dias. Conta-se que o vento também estaria incerto e agitado, o que terá dificultado a contenção do incêndio.

Pareceu que os 4 elementos, terra, água, ar-vento e fogo tinham sido combinados pelos Deuses de forma perfeita para destruir a cidade. Cerca de um terço da população de Lisboa pereceu (mais ou menos 80 mil pessoas). Uma parte tinha ficado soterrada dentro das próprias igrejas que desmoronaram.

Qual o significado deste terramoto? Será que Deus se quereria vingar dos pecados da cidade, como diziam os padres católicos ? Os iluministas não concordaram. Voltaire no seu famoso Poema Sobre o Desastre de Lisboa diz:
Que crime, que falta cometeram aquelas crianças esmagadas em sangue sobre o seio maternal? Teria Lisboa mais vícios que Londres ou que Paris?

Tal como temiam aqueles que durante o cataclismo se ajoelhavam pedindo perdão a Deus, julgando que vinha o fim do mundo, era de facto o fim de um mundo, para as inocentes vítimas e para o poder absoluto da Igreja Católica e do Santo Ofício [que tanto mal fez aos portugueses], que não mais voltaria a ter a mesma relevância em Portugal. Por decisão do Marquês de Pombal nunca mais se realizariam "Autos de Fé". Nenhuma religião, nenhum Deus, nenhuma ideologia política, nenhum dogma, princípio, valor ou fé se deve sobrepor à dignidade e aos direitos humanos.
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