quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Como fazer com que Portugal fique mais rico? I – A criação de valor

[Estas coisas dos blogues têm piada. Podemos escrever os maiores disparates ou as coisas mais acertadas e ninguém dá muita importância ao facto. Acho que o direito ao disparate e à indiferença está inscrito na carta dos inalienáveis direitos do homem. Portanto aqui vão os textos que se seguem. Disparate ou não, cabe a cada um avaliar. É apenas uma opinião.]

O que faz com que uns países sejam mais bem sucedidos do que outros foi o primeiro problema da ciência económica em finais do século dezoito: de facto, o livro que fundou a ciência económica chamava-se “Um Inquérito à Natureza e Causas da Riqueza das Nações”, foi escrito por Adam Smith, o “pai da economia”, e foi publicado em 1776.

Segundo Adam Smith a “Riqueza das Nações” dependia da capacidade das mesmas em gerar “valor”. O “valor” de qualquer objecto para Adam Smith é determinado por aquilo com que se pode trocar esse objecto: por exemplo o ar não teria "valor" porque não poderia ser trocado por nada, enquanto que um diamante teria grande "valor" de troca, porque poderia ser trocado por muitos outros bens.

Repetimos então a pergunta de Smith: o que fazia com que as Nações produzissem maior valor (de troca)? E ele chegou a uma conclusão. Era a divisão do trabalho. Ele dá o exemplo dos alfinetes: um trabalhador poderia fazer sózinho apenas 20 alfinetes por dia, mas se 10 pessoas dividissem o trabalho em 18 passos para fazer alfinetes, eles conseguiriam fazer 48 mil alfinetes em apenas um dia. Assim, uma nação com maior capacidade de dividir e organizar o trabalho, seria mais rica [Karl Marx por exemplo, também era de opinião que o valor era criado pela incorporação do trabalho humano no produto].

Hoje em dia a explicação para a criação do valor já não se encontra na produção do objecto em si, pelo contrário, a produção é tendencialmente deslocada para os países com menores capacidades de incorporar valor. O valor está agora principalmente em áreas como a investigação, a distribuição e o marketing. As economias desenvolvidas terciarizaram-se* há muito tempo porque os investidores perceberam que era aí que se gerava mais valor**.

A produção de bens que as economias desenvolvidas ainda realizam são cada vez mais [além da produção primária de proximidade e da produção “estratégica”], apenas de produtos que exigem elevada incorporação tecnológica ou mais complexa organização fabril, mas mesmo essas produções têm vindo gradualmente a ser deslocadas para as economias de periferia, por isso já se diz que “o mundo está a ficar plano”. Isso vai ficar para o próximo artigo sobre este tema.

Economês básico:
* Sectores da Actividade Económica:
São 3 os sectores - o Terciário são os serviços, o Secundário a Indústria e o Primário a Agricultura, Pescas e Extractivas.
** Sobre o valor:
Simplificando, o valor que uma empresa gera é a diferença entre os seus custos [do que compra] e os seus proveitos [do que vende]. Esse valor, que a empresa adiciona ao que compra também se chama valor acrescentado e serve entre outras coisas para pagar salários, investir e para formar os lucros da empresa – se a empresa der lucros.
A soma de todos os valores acrescentados de todas as empresas é o PIB, o chamado Produto Interno Bruto, que corresponde à riqueza gerada no país. Um dos mais importantes indicadores do crescimento da riqueza é o crescimento do PIB [mas só a preços constantes, isto é, não contando com a inflacção].

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