sexta-feira, 2 de novembro de 2007

O Terramoto de 1755 - Parte III - Cidade das Luzes

O traçado da nova cidade, deveu-se principalmente a dois arquitectos, Eugénio dos Santos e Carlos Mardel, homens modernos que dotaram a cidade de uma lógica diferente da cidade antiga: ruas largas e arejadas, ao invés das vielas estreitas e sujas, facilitando a circulação e o transporte, e funcionando como barreira à propagação de incêndios; foi estudado e aplicado um tipo de construção anti-sísmica (diz-se que terá sido a primeira do mundo), designado por “gaiolas”, que consisistia no reforço das paredes com uma estrutura em madeira; ruas longas em linha recta, indo confluir a Norte ao Rossio e à Praça Nova (Praça da Figueira, hoje) e a Sul ao Terreiro do Paço, que passou a ser designado como Praça do Comércio; toda a actividade comercial ficou ligada com a Praça do Comércio e com a zona portuária; impediram-se novas construções em cima do rio, em particular nas zonas mais atingidas pelo tsunami, ficando uma zona tampão sem casas entre o rio e as primeiras fileiras de casas; bastante menos igrejas -propunha-se passar de 40 para 8; edifícos integrados em quarteirões rectangulares, com esgotos.
A cidade passava a ser mais higiénica e mais segura, mais funcional e mais eficiente.

O Clero opôs-se, como seria previsível e Eugénio dos Santos faleceu prematuramente, mas Carlos Mardel prosseguiu a obra. Com o forte apoio de Pombal, Lisboa foi sendo reerguida das cinzas.

O rei, D. José I, ficou traumatizado com toda esta tragédia de Lisboa. Com receio de um novo terramoto, foi viver para a chamada “Real Barraca da Ajuda”, um conjunto luxuoso de tendas no Alto da Ajuda, onde se sentia a salvo de novos cataclismos. Não esteve à altura das circunstâncias, mas teve pelo menos a lucidez de entregar quase todos os seus poderes ao Marquês de Pombal.

Há quem defenda que Eugénio dos Santos e Carlos Mardel eram Maçons, e que à semelhança das grandes metrópoles maçónicas como Washington e Paris, procuraram desenhar uma “cidade sagrada”. Por isso há quem enfatize a simbologia maçónica existente na cidade, em particular na Baixa Pombalina. Não sabemos se o “Grande Arquitecto do Universo” terá tido alguma coisa a ver com isso, mas Lisboa ficou desde então fortemente marcada no seu desenho e projecto pelo Século das Luzes.

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