quarta-feira, 7 de novembro de 2007

O Tratado de Tordesilhas revisitado

O provérbio que ontem falei de Sousa Martins fez-me ir pesquisar a fonte de uma leitura que me revelou a origem de uma outra expressão muito conhecida, e felizmente, no meio das minhas coisas lá encontrei o livro. É de Duarte Leite, chama-se Coisas de Vária História e foi editado em 1941 pela Seara Nova. Consiste num conjunto de textos publicados, quer na revista Seara Nova quer no jornal do Porto O Primeiro de Janeiro.

No texto O Tratado de Tordesilhas, é relatado o difícil processo de negociação entre o notável rei de Portugal D. João II e Castela, na altura governado pelos Reis Católicos. Duarte Leite classifica o tratado como um dos mais notáveis monumentos diplomáticos de todos os tempos e lendo a sua descrição compreende-se a dificuldade das negociações. Durante certos períodos interessou a Portugal apressar as coisas e a Castela esperar, mas em outras fases da negociação aconteceu o contrário. Uma dessas situações foi quando Castela enviou a Lisboa os emissários Garcia de Carvajal e Pedro de Ayala, com o objectivo não confesso de protelar as negociações. Um deles era coxo e o outro era cheio de palavreado vazio. O rei D. João II, percebendo a intenção dos Reis Católicos, recambiou-os de volta para Castela, dizendo com graça que os seus primos lhe tinham enviado uma delegação SEM PÉS NEM CABEÇA. Julgo que seja esta a origem desta expressão.

Depois da aprovação do tratado pelo Papa, o rei de França, Francisco I terá dito: “Le soleil luit pour moi comme pour les autres. Je voudrais bien voir la clause du testament d’Adam, qui m’exclut du partage du monde”. A vigência do tratado de Tordesilhas foi de 283 anos, até 1777, quando foi assinado o tratado de S. Ildefonso.

Nota importante: Continua a exposição conjunta da Torre do Tombo e do Parlamento, aberta ao público até Dezembro, que inclui original do Tratado de Tordesilhas.

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