domingo, 30 de dezembro de 2007

Monárquicos vs Republicanos I: os Vencidos da Vida.

Nunca compreendi como é que um período politicamente tão conturbado como o que corresponde ao Liberalismo e à Primeira República, mais ou menos 100 anos entre 1830 e 1930, produziu tantos poetas, escritores, pintores, etc. Dá a impressão que nunca houve na nossa terra tantos intelectuais de tão grande valor como neste período. Só na literatura, e sem querer ser exaustivo, é fácil lembrar:

AFONSO LOPES VIEIRA
ALEXANDRE HERCULANO
ALMEIDA GARRET
ANTERO DE QUENTAL
ANTÓNIO FEIJÓ
ANTÓNIO FELICIANO CASTILHO
ANTÓNIO NOBRE
AUGUSTO GIL
BULHÃO PATO
CAMILO CASTELO BRANCO
CAMILO PESSANHA
CESÁRIO VERDE
EÇA DE QUEIROZ
FERNANDO PESSOA
FIALHO DE ALMEIDA
FLORBELA ESPANCA
GOMES LEAL
GONÇALVES CRESPO
GUERRA JUNQUEIRO
JOÃO DE DEUS
JÚLIO DINIS
JÚLIO DANTAS
MÁRIO DE SÁ CARNEIRO
OLIVEIRA MARTINS
PINHEIRO CHAGAS
RAMALHO ORTIGÃO
RAUL BRANDÃO
TEIXEIRA DE PASCOAIS
TEÓFILO BRAGA
VENCESLAU DE MORAIS


Ao contrário daquilo que nos habituámos a ler, há quem tenha opiniões bem mais favoráveis deste período. O Conde de Sabugosa, do grupo dos Vencidos da Vida, em Neves de Antanho de 1918, escrevia que na sociedade dos últimos 60 anos havia “grandeza, intelectualidade, elegância, brilho, movimento, tudo o que seduz, e atrai e encanta, tudo o que causa la douceur de vivre.” E acrescentava que por exemplo, não tinha sido essa sociedade a criticada por Ramalho Ortigão nas Farpas, mas antes a “burguesia macaqueadora das raças velhas, de quem usurpara coroas e brazões (...)” a quem prégou “higiene a uma geração que a ignorava” ensinando “a ensaboar muitos corpos faltos de limpeza” e “pôs à moda ser lavado e alegre”. É pelo menos uma visão diferente da habitual, e ajuda a perceber o porquê de várias coisas. Discordo de Pulido Valente que classifica em o "Poder e o Povo", o Eça de Queiroz de "snob e reaccionário" e Ramalho Ortigão de "conservador". Porquê ? Será por serem apoiantes de D.Carlos e por não serem do PRP - Partido Republicano Português? Não acredito. O PRP era ainda um grupúsculo que quase não existia na sociedade portuguesa. A via para melhorar as coisas, parecia ser influenciar o regime por dentro. Foi o que tentaram fazer.

Sem comentários:

Enviar um comentário