terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Rafael Hitlodeu: notável português do século dezasseis.


Rafael Hitlodeu foi um português que acompanhou Américo Vespúcio em três das suas alegadas quatro viagens. Na última viagem, Vespúcio saiu de Lisboa com destino a Malaca, no Oriente, mas não foi além do Brasil porque perdeu o seu navio almirante, tendo de voltar para trás. Porém, antes de voltar a Lisboa, Vespúcio constrói um forte e deixa em terra 24 homens com provisões para 6 meses. O forte, de acordo com Vespúcio estaria dezoito graus ao Sul do Equador.

Um dos 24 portugueses deixados no Brasil era Rafael Hitlodeu. Ele pediu ao capitão licença para ficar no Novo Mundo e com cinco companheiros empreendeu uma incrível viagem para Oeste tendo alcançado a Taprobana [as opiniões diferem se se trata de Ceilão ou de Sumatra, próximo de Malaca, o objectivo inicial da viagem de Vespúcio].

O Professor George Parks do Departamento de Geografia da Universidade de Washington, diz que Hitlodeu terá sido “o primeiro europeu a circum-navegar o globo, antecedendo a viagem de Magalhães em cerca de uma década”, visto que Hitlodeu e os seus companheiros, após visitarem vários territórios naquela zona, foram a Calecute, onde por sorte terão encontrado navios portugueses que os puderam trazer em segurança para Portugal.

Hitlodeu era também uma espécie de filósofo social. Sabia latim e melhor ainda grego, e adorava ler Platão que interpretava à sua maneira. Estava profundamente preocupado com o estado da cristandade: afirmava que estava dividida e perturbada por interesses egoístas e particulares, em todas as áreas da sociedade e preconizava grandes reformas. Procurava um país ideal, avançado e igualitário, algures no mundo, e por isso tinha acompanhado Vespúcio nas suas viagens. Acabou por encontrá-lo numa zona temperada a Sul, numa ilha, chamada Utopia.

A maior dívida que temos para com Rafael Hitlodeu é o conhecimento acerca das leis, instituições e sistema de valores desta sociedade insular - que ele descreveu em detalhe ao inglês Thomas More e ao amigo comum, o holandês Peter Giles em Antuérpia. Thomas More viria a passar para papel, em latim, esta conversa com o português, embora tenha tido sempre dúvidas sobre a veracidade da história. O livro de More chamar-se-ia Sobre o melhor estado de uma república e sobre a nova ilha Utopia, ficando conhecido mais simplesmente por Utopia. Foi publicado em 1516.

[Texto extraído da comunicação do Professor Paul Sawada – Rafael Hitlodeu notável português do século dezasseis, da Universidade Nihon, Japão, à Conferência Internacional Viagens dos portugueses na Ásia e no Japão durante a Renascença, realizada na Universidade Sofia em Tóquio, Setembro de 1993. Os textos das comunicações foram impressos em livro, pela Embaixada de Portugal no Japão.]

3 comentários:

  1. Muito boa essa pesquisa me ajudo muito com trabalhos de escola.

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  2. Interessante o blog. Eu o descobri via Wikipedia, pesquisando o nome de Rafael Hitlodeu para seguir na leitura de "A Utopia" de Thomas Morus. Foi útil mesmo.

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  3. Pesquisando o nome de Rafael ao ler Utopia de More

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