sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Futurologia 2 - Ensinar para a Mudança.

A verdade é que não sabemos e não podemos prever o futuro, mas precisamos de compreender que a educação para a sociedade industrial ainda condiciona o modelo educativo das nossas sociedades, que é conservador e de cátedra:
- formar para a disciplina e a obediência
- o educando deve ser um sujeito passivo
- o erro deve ser sobretudo penalizado
Este ensino [do antigamente] pretendia criar uma multidão de disciplinados trabalhadores sem iniciativa que constituissem uma força laboral eficaz e eficiente. Cada trabalhador escolheria uma especialização e depois teria o mesmo trabalho na mesma empresa ou no mesmo sector durante muitos anos.

Hoje em dia as empresas duram poucos anos sem importantes reestruturações: abrem, compram, são compradas, juntam-se a outras, separam-se, aliam-se, fecham, deslocalizam-se, etc, etc, sempre com quase tudo em permanente mudança. As palavras chave da economia passam a ser a inovação e o empreendedorismo. Neste quadro, será difícil a um profissional manter-se uma vida inteira no mesmo posto de trabalho a fazer a mesma coisa. Ele vai ter de mudar, mais de uma vez ao longo da sua vida profissional. Por isso, o ensino deve ser dinâmico, promover a competição, a entre-ajuda, a procura, o trabalho de equipa, colocando os formandos perante a necessidade de adquirir competências diferentes para enfrentar problemas mais complexos:
- formar para acreditar em si próprio e para a iniciativa
- o educando deve ser um sujeito activo
- o erro deve servir para se aprender a corrigir (só quem é passivo é que não erra).

Este novo ensino, pós-industrial, será tanto mais eficaz quanto mais cedo começar: é nas idades mais jovens que se desenvolvem as capacidades fundamentais como a curiosidade, o gosto de resolver problemas, o domínio da língua e da aritmética.

Considero muito interessante a leitura destes dois livros:
- Educar para o Optimismo, de Helena Águeda Marujo, Luís Miguel Neto e Maria de Fátima Perloiro, ed. Presença. O primeiro capítulo começa com esta citação de autor desconhecido: “Se fizeres o que sempre fizeste terás o que sempre tiveste”.
- Does Education Matter?, de Alison Wolf, ed. Penguin. Discute a relação nem sempre óbvia entre ensino e crescimento económico.
Para quem perceber inglês, valeria também a pena ouvir esta pequena conversa do TED por Ken Robinson:


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