terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Monárquicos vs Republicanos III: a Ditadura Militar.

Após o golpe do 28 de Maio de 1926, menos de 16 anos depois da instauração da República, Portugal encontrou-se governado por uma ditadura militar. Se a 1ª República tinha sido um período conturbado até à ditadura de Sidónio, a partir daí é uma indescritível confusão de golpes e de contragolpes. A Noite Sangrenta de 19 de Outubro de 1921 [com os assassinatos de António Granjo e de Machado dos Santos], foi a prova que uma imposição da ordem pelos militares estava próxima. É curiosa a unanimidade na sociedade portuguesa sobre o movimento do 28 de Maio de 1926, juntando esquerda e direita, monárquicos e republicanos. Mesmo um jornal “clandestino de esquerda” como “O Reviralho” confessava que a “revolução militar” do 28 de Maio tinha parecido “oportuna e necessária”.

Em Janeiro de 1928, quando a ditadura militar agora dirigida por Carmona já assumia contornos claramente anti-parlamentaristas, escreve Fernando Pessoa, como justificação da ditadura militar [em “Defesa e Justificação da Ditadura Militar em Portugal”]:

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O facto essencial é este: Portugal é metade monárquico, metade republicano. Em Portugal presente, pois, o problema institucional é inteiramente irresolúvel (...). Estamos divididos porque não temos uma ideia portuguesa, um ideal nacional de nós mesmos (...) quando o país está assim organicamente dividido, metade oposta a metade, está criado o estado de Guerra Civil – de guerra civil pelo menos latente. Ora, num estado de guerra, civil ou outra, é a Força Armada que assume a expressão Poder”.

O assunto não era de somenos importância. Na vizinha Espanha a Guerra Civil estalava uns anos depois entre republicanos e monárquicos. O sentimento em Portugal foi que todos perceberam aquilo que tinha sido evitado.

O regime saído do 28 de Maio de 1926 disfrutou de largo apoio social durante todo o período que foi até ao fim da Segunda Grande Guerra. Os nossos avós e bisavós eram na sua maioria salazaristas, não por serem “fascistas”, mas por preferirem, em contraponto com o período precedente, a segurança de um governo de aparência disciplinadora. Foi uma oportunidade perdida o regime não se ter aberto e democratizado após a Guerra: a avaliação sobre o Estado Novo e Salazar seriam hoje diferentes.
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Os últimos 20 anos do Estado Novo, de má governação, de atraso atávico e de criminosa guerra colonial acabaram por marcar o regime e o país pela negativa: uma difícil herança para o regime resultante do 25 de Abril de 1974.

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