domingo, 27 de janeiro de 2008

Previsões económicas 2008, as bolsas e o resto.


É curioso a perspectiva como cada um vê os períodos de “quedas na bolsa”: há quem se escandalize e peça mais regulamentação e controlo do Estado, julgando que estas coisas se combatem por decreto e há quem entre em pânico, dizendo que estamos a entrar numa época de turbulência que irá terminar mal. Há mesmo quem procure demonstrar o “falhanço do capitalismo e da economia de mercado”. Importa por isso lembrar alguns factos de forma a pensar com sensatez:
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- A períodos de expansão sucedem-se regularmente períodos de recessão: porque a prosperidade das empresas, dos particulares e dos bancos, faz aumentar preços, sobretudo de bens de investimento, como os títulos da bolsa e os imóveis até um nível exagerado, o que obriga depois a uma correcção para baixo. É o que está a acontecer nos EUA (e será talvez a evolução a curto prazo em Espanha, depois de um muito prolongado período de crescimento). Isso tem também alguns aspectos positivos e não apenas inconvenientes.
- O aumento de preço do petróleo em dólares tem sido numa parte compensado pela valorização do euro face ao dólar e na outra parte tem tornado competitivas a sua substituição por fontes de produção de energia renovável, alternativas aos combustíveis fósseis e menos nocivas do ambiente.
- 2 a 3 biliões de pessoas estão a ter gradualmente acesso a rendimentos mais elevados e a níveis de vida mais dignos ( como nos países do BRIC, Brasil, Rússia, Índia e China).
- O reino do dólar está a terminar, o que é verdade como diz George Soros (ver “The worst market crisis in 60 years”, Financial Times, 23/01/08), pessimista convicto, mas isso também significa que o motor da economia mundial, hoje, já não são os EUA, mas os chamados países emergentes: não só são menos dependentes dos Estados Unidos, como são eles que “puxam” pela economia americana.
- As actividades de produção de bens e serviços é que suportam ou sustentam a actividade financeira das bolsas e dos bancos. Não é o contrário. Essas bases são mais sólidas do que a volatilidade dos mercados financeiros.

Há portanto que dar lugar a menos pessimismo: é muito possível que a “crise” seja menos dramática do que os pessimistas pensam e os radicais desejam e não provoque recessão mas apenas uma pequena desacelaração do crescimento económico mundial. Em 2007, a economia mundial cresceu próximo dos 5% e não é crível, de acordo com os “especialistas”, que esse valor possa ser menos do que 4% em 2008. Um bom crescimento, muito longe de qualquer imaginária recessão e um cenário também muito melhor para Portugal.
Ver por exemplo as declarações de Fred Bergsten do IIE (http://www.iie.com/) em Davos, há 3 dias atrás:

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