quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Copy - Paste

Não temos tudo, nem quase tudo, mas certamente temos muito por fazer em Portugal. Não sei qual a ocupação de quem me lê, mas é fácil de perceber que em países 4 ou 5 ou mais vezes maiores que o nosso, existam 4 ou 5 ou mais vezes de tudo, não apenas de pessoas. Existirão também mais casas, empresas, serviços, objectos, cidades, hospitais, carros, etc. É uma proporção quantitativa fácil de entender e se o país for mais rico e desenvolvido do que o nosso, como uma França ou uma Alemanha, haverá não apenas mais em quantidade e diversidade mas também mais em qualidade. Mais e melhor.

Assim, se o leitor for por exemplo, professor, é fácil perceber o interesse em copiar os métodos lá de fora, cá para dentro: como são dadas as aulas? como são organizadas e geridas as escolas? como são estruturados os programas e a avaliação? E assim por diante. E se for engenheiro ou cabeleireiro, é a mesma coisa. Só precisamos de bons “copistas”, que “pastem” as coisas boas que se fazem lá fora, com melhores resultados do que as que fazemos aqui. Se olhar para o seu sector de actividade verá que 9 em cada 10 vezes, eu tenho razão.

Era uma boa ideia que os nossos jornalistas perguntassem frequentemente aos senhores ministros e secretários de estado, como se resolvem lá fora os mesmos problemas, por exemplo: das urgências na saúde ou dos acidentes de automóvel...

Aceita-se que se possa optar por outros caminhos, desde que justificadamente, mas não se aceita que se decida com desconhecimento de causa:
-“Como é que se faz lá fora Sr. Ministro?”

Lembro-me de uma frase (lida em Últimas Recordações de Alberto Bramão) de António Feliciano de Castilho, que embora sendo cego foi uma grande figura do romantismo português. Pedindo-lhe alguém a sua opinião sobre o livro de um escritor, Castilho comentou:
- Tem coisas boas e coisas novas...coisas novas que não são boas e coisas boas que não são novas.

Vale mais uma boa cópia que uma má originalidade: inovar não é o improviso do que sabe a menos, mas antes, nesta sociedade mundial da informação e do conhecimento, a criatividade do que sabe a mais.

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