sábado, 23 de fevereiro de 2008

A Noite III – A “noite técnica”

Candeeiro de Lisboa
Com a chegada da luz artificial a iluminar os locais públicos, deixou de existir dia e noite, e passou a ser sempre dia, em especial nas cidades, onde se perdeu também a visibilidade do céu nocturno, devido ao clarão das luzes eléctricas.

A primeira tentativa de iluminação nocturna em Lisboa, foi iniciativa de Pina Manique em 1780 que manda colocar candeeiros de azeite. Só a partir de 1848 se inicia a iluminação a candeeiros a gás, com uma luz muito mais forte. Joel Serrão, historiador estudioso do século dezanove, designa a nova luminosidade como “noite técnica” que teria vindo substituir a “noite natural” e cita o livro “Lisboa de Hontem” de Júlio César Machado, escrito em 1870, que compara o antes com o depois:

“Era a inocência de uma povoação pacata (...). À noitinha fechavam-se as lojas (...). Toda a gente recolhia cedo (...) Vivia-se contente assim. Nisto apareceu a polca e iluminou-se a cidade a gás. A impressão que estes dois factos produziram em Lisboa foi de tal ordem, e mudou logo tudo, mas tudo, tão de repente, que até o céu, limpo e transparente, que tínhamos, nunca mais foi como era!...”

A utilização da luz eléctrica vai iniciar-se relativamente cedo em Portugal, a partir de 1889. No entanto, o uso da lâmpada eléctrica cresce lentamente, só começando a substituir generalizadamente o gás, após a guerra de 14-18.

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