terça-feira, 1 de abril de 2008

Agostinho de Campos I - As graças

Agostinho de Campos (1870-1944) foi um daqueles raros professores de português com obra publicada que ensina a usar correctamente a língua portuguesa. O seu livro mais famoso talvez seja “Língua e má língua”, prefaciado por Júlio Dantas. Nesse livro são citadas algumas graças:

- Porque é que o mar é salgado? Porque tem muito bacalhau de molho.
- Quais são os três melhores apelidos para um motorista? Passos Dias Aguiar.
- Em que se parece a nossa mãe Eva com a hortaliça? Foi a primeira mulher qu’houve.
- Porque é que os peixes do mar não são salgados, apesar de viverem na água salgada? Porque em casa de ferreiro, espeto de pau.
- Quem é mais feio que o diabo? É o Pintam, porque o diabo não é tão feio como o pintam.
- Quando se abre a porta aberta? Quando a Berta bate à porta.

São ainda contadas neste livro algumas histórias com piada, como a de um menino, muito nervoso durante o exame de botânica, em que o examinador perguntou:
- Como se chama a árvore que cresce muito depressa, que tem o tronco muito alto e direito, com uma casca que se desprende em grandes lascas...?
O menino não atinava, e o mestre explicou mais:
-...Uma árvore que se vê por toda a parte em Portugal, e que para cá veio trazida da Austrália...
O menino, nada. E então o professor ajudou mais:
- Então, menino: é o eu..., o euca..., o eucalí...
Nesta altura o examinando lembrou-se de eucalipto; mas, muito nervoso, não sabendo já de que freguesia era, nem em que disciplina estava sendo examinado, começou a conjugar:
- Eu calipto, tu caliptas, ele calipta...
.
Uma vez o saudoso prof. Oliveira Ramos ralhou assim ao seu netinho, durante o almoço:
- O menino não esteja a bater com os pés na perna da mesa...
...lhe respondeu logo – decisivo, convicto, categórico, perfeitamente lógico e regularizador da maneira de conjugar:
- Estejo!...
E continuou a bater com os pés na perna da mesa. Estejou e tornou a estejar.

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