domingo, 27 de abril de 2008

Contra-Corrente de Vergílio Ferreira III - intervenção cívica

Estava-se em Abril de 1975, pré-“Verão Quente”, auge da resistência dos democratas contra a tentativa totalitária do PC. A pedagogia da liberdade e da tolerância tornava-se necessária para defender o pluralismo democrático e partidário. Não era nada fácil. Vergílio Ferreira transcreve um discurso seu preparado para ser dito em comício do PS e começava assim:

Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros.
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(...)
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19-Agosto (terça). Ontem o Vasco Gonçalves largou discurso. Espectáculo extraordinário de desespero, de paranóia. Que se segue? Até quando vai isto durar? Que nos espera? A guerra civil é hoje visível no horizonte. (...)

Era de facto, e se não tivesse sido o 25 de Novembro, conduzido por Ramalho Eanes com Jaime Neves, a história poderia ter sido bem pior.
E já em 1976:

13-Maio (quinta). Convidaram-me (...) para fazer parte da Comissão Nacional de Apoio à Candidatura do General Ramalho Eanes à Presidência da República. Aceitei. Desvanecido...(...) Teremos paz enfim? Tranquilidade?

Tivemos mais ou menos, obrigado. Vergílio Ferreira estaria connosco até Março de 1996.

1 comentário:

  1. Só agora dei conta do seu blogue. Já agora como é também um leitor de Vergílio Ferreira, gostaria que me informasse onde posso encontrar os últimos dois volumes (sem ser em versão digital que detesto), volumes IV e V da Conta Corrente. Muito obrigada. O meu mail é y.goncalves@sapo.pt.

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