sábado, 12 de abril de 2008

“Deixem funcionar o mercado!” I – O caso Cinderela

É fácil compreender que cá dentro [em Portugal], estamos distantes de muitas decisões globais que nos afectam e que não podemos controlar:

David Rothkopf explica como funcionam "as coisas" na edição de 14 de Abril da Newsweek: ele foi entrevistar o presidente do Banco da Reserva Federal de Nova Iorque, o maior e mais importante banco - entre os 12 existentes - da Reserva Federal americana [a Reserva Federal dos EUA é equivalente ao nosso Banco de Portugal]. O senhor chama-se Timothy Geithner [não confundir com Ben Bernanke, governador da Reserva Federal dos EUA] e explica-nos como a elite mundial actua quando os mercados tremem:
Numa crise anterior a Reserva Federal juntou os líderes das principais 14 empresas financeiras do mundo, de 5 países, que representam 95% da actividade financeira global. Estavam lá suiços, alemães e britânicos. Curiosamente não estavam asiáticos, nem sequer japoneses. O "CEO" da Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, designou-os por brincadeira, “as 14 Famílias”, como no filme "O Padrinho". Diz Geithner:
Nós dissemos-lhes que eles tinham de resolver o problema e que nos dissessem como o iriam fazer, que nós asseguraríamos as medidas de apoio necessárias, para que eles se sentissem mais tranquilos. Se eles agissem individualmente, toda a gente os seguiria.
Não havia nada escrito, não havia regras, não haviam processos formais (...) A beleza do mecanismo era a sua absoluta eficiência e
ver como um pequeno grupo de grandes empresas com influência global, podiam agir e ter o trabalho feito com rapidez.

Não partilho de qualquer visão conspiracionista da economia, mas também não se deve acreditar, em mãos invisíveis, em Princesas Encantadas ou em modelos perfeitos de oferta-procura que só existem nos livros. Já se sabe que os modelos de economia estatizada são ineficazes e que os mercados são muito importantes, são mesmo decisivos para o desenvolvimento, mas a Cinderela não existe. Por exemplo, precisamos de compreender, que mesmo que nos esforcemos muito muuuuuuito, nunca [dentro do nosso horizonte visível], conseguiremos produzir mais barato que os chineses.
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[amanhã continua]

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