domingo, 13 de abril de 2008

“Deixem funcionar o mercado!” II – O Northern Rock e Ben Bernanke

O terrível da realidade competitiva, para além dos livros académicos, é que se parece mais com uma “guerra económica do vale tudo”: trabalho mal pago, zonas francas, dumping, etc. As leis internacionais, as europeias incluidas, servem para muito pouco quando estão em causa “interesses estratégicos”. Veja-se o caso da nacionalização do Northern Rock Bank no liberal Reino Unido e vejam-se os esforços da Reserva Federal Americana, e do seu presidente Ben Bernanke – muito criticado (ver a figura do cartoon do New York Times – talvez o melhor jornal do mundo – de ontem), para controlar os efeitos e estragos da crise imobiliária e financeira dos Estados Unidos.

Os intrumentos normais de política económica dos governos, como os impostos ou os subsídios, bem como as políticas para o conjunto de serviços que o Estado proporciona, da Segurança Social passando pela Justiça à Educação, fazem parte de uma complexa mistura que acaba por ser determinante para o desempenho da actividade económica, sua estruturação e competitividade.

O Estado é hoje uma máquina gigantesca que pode travar ou potenciar a actividade económica. Até questões que normalmente aparecem como menos associadas à economia tais como a segurança dos cidadãos ou o nº de acidentes nas estradas podem desempenhar um importante papel quer positiva quer negativamente para certas decisões de investimento. Esta é a verdade de quem já teve alguma experiência com decisores de investimento estrangeiro - depois de se inteirarem sobre as oportunidades dos negócios, pretendem saber como se vive aqui.

Não estou a pretender minimizar a importância dos empresários e dos empreendedores, pelo contrário, aquilo que pretendo transmitir é que eles fariam muito melhor se pudessem ser melhor apoiados, e Portugal parece ser nesse aspecto um caso exemplar, com sucessos e insucessos.

[amanhã continua]

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