quarta-feira, 23 de abril de 2008

Sugestão para as próximas férias: a Romaria da Sra. d’Agonia

Quando chegamos a Maio, geralmente começamos a pensar e a planear as próximas férias de Verão. Aqui fica a sugestão para visitar a mais bonita festa portuguesa do ano: a Romaria da Sra da Agonia em Agosto, na linda cidade de Viana do Castelo .

Vira de Nossa Senhora da Agonia e 5 estrelas para Augusto Canário.



Excerto do texto “Agonia” escrito por Manuel de Sousa Pinto, incluído no Almanaque Bertrand de 1931:

As festas da Agonia – não há ninguém que o não saiba! – celebram-se todos os Agostos em Viana do Castelo, tendo por moldura encantada o cenário da foz do Lima e sua cidade.
É tal o renome desses festejos, que ao aludir a eles se esquece a tristeza da palavra que os designa: Agonia. Gente da terra talvez não a baptizasse assim, mas Viana é porto de mar, e a invocação deve ter nascido nas bocas marujas, entre as pelejas do mar:

...A Senhora da Agonia
...Tem telhadinho de vidro,
...Que lhe deu um marinheiro
...Que se viu no mar perdido.

A ruidosa e colorida agitação, que a grande festa provoca, transforna o compungente vocábulo num grito quente de regozijo. Essa “Agonia” não significa sofrimento, angústia, nem despedida da vida. É, por obra do populacho que a anima, uma agonia alegre, em que não se morre, mas se vive mais intensamente.
Tumultuaria, galhofeira, zabumbante, com pregões e estoiros, bailaricos e descantes, abraços e marradas, copinhos de luzes e canecas de verdasco, aguilhadas e varapaus, títeres e embolações, harmónios e repiques, gaitas, ferrinhos, barracas de feira, carrossel, atordoa, confunde, ilumina, viravolteia.

Que o coração tem, nas festas da Agonia, saliente papel decorativo, como se quizesse deixar de ser o invisível maioral da paixão e do desgosto, para armar, vaidoso, ás vezes filigranado, em garrido adorno. É a festa dos corações a Agonia: do coração objecto dado ou comprado, do coração símbolo do amor e da abastança. Os corações andam por lá a rodo, nos coletes e nas chinelas, nas mangas das camisas e nas tiras dos aventais, nas orelhas e nos cordões; por toda a parte, á laia de brazão amorudo e indispensável penduricalho de uma raça sentimental que pelo coração e para o coração, vive, labuta, canta e morre.
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[Ver toda a informação sobre as festas, incluindo uma notável selecção fotográfica com imagens dos trajes, das procissões no mar e em terra, dos bombos e Zés Pereiras, das concertinas, dos gigantones e cabeçudos, das touradas, dos desfiles etnográficos, etc, em http://www.festas-agonia.com/]
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