segunda-feira, 5 de maio de 2008

O triângulo Lisboa-Sintra-Cascais


Agora que as praias da Costa da Caparica são já uma imagem dum passado [diz-se que mercê de umas dragagens feitas durante anos, que alteraram as correntes da foz do rio, as praias da Costa perderam o seu imenso areal], cada vez mais os alfacinhas fazem a sua “volta dos tristes” de fim-de-semana, no triângulo Lisboa-Sintra-Cascais.
Desde Santo Amaro de Oeiras - aberta “a banhos”, até ao Guincho, com a vinda do bom tempo todas as praias enchem. E é assim, que certos restaurantes em S. Pedro de Sintra ou em Alcabideche se enchem de gente.

Verdade seja dita, que nos tempos que correm, as idas à praia já não são de dia inteiro de tacho e garrafão, como nos anos 50 a 80 do século passado. O problema do ozono e a consciencialização sobre os perigos do cancro da pele, provocou que os banhistas a partir dos anos 90, começassem a permanecer menos tempo nas praias apanhando os -antigamente terapêuticos [e hoje considerados perigosos] “banhos de sol”. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

Contam-nos Branca de Gonta Colaço e Maria Archer em “Memórias da linha de Cascais”:

No século XVIII, no início do século XIX, a sociedade elegante de Lisboa veraneava no Ribatejo, enchendo de rumor e vida as sumptuosas quintas e palácios da região. Em Vila Franca havia caçadas reais, em Salvaterra touradas de fidalgos. Alhandra era, na época de D. Maria II, um ponto de veraneio muito na moda. Sintra, tão gabada por Byron nos começos do século XIX, só esteve na berra quando o rei D. Fernando se apaixonou pelas paisagens deslumbrantes que avistava do velho convento arruinado, pelas sombras e os silêncios das matas que o castelo mourisco coroa do emblema heráldico das suas ameias.
Instalou-se D. Fernando no castelo da Pena, D. Luís e D. Maria Pia mandaram restaurar o Palácio da Vila, a condessa de Edla teve o seu palacete na encosta da serra – e então a nobreza do reino ergueu mais palácios e muros de parque por toda a serra que vizinha o Palácio da Vila e o Palácio da Pena. Sintra surgiu no turismo nacional pelo capricho desse rei amante das velhas árvores e do murmúrio das águas nas sombras das matas – mas D. Luís, que fora marinheiro e gostava do ar salgado e das vistas infinitas do oceano, fez com que se construísse, em 1868, a estrada entre Sintra e Cascais. O triângulo turístico Lisboa-Sintra-Cascais, que ainda hoje perdura e é a ostentação máxima do turismo nacional, vem-nos em herança, do bom gosto dos nossos reis.
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Façam o fim-de-semana como quiserem, mas acima de tudo sigam este conselho - usem um bom protector/filtro solar:
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