quarta-feira, 30 de julho de 2008

A história do macaco do rabo cortado

História infantil tradicional
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Era uma vez um macaco que queria ir para a escola, mas muitos meninos faziam troça dele porque tinha um rabo comprido. Então ele resolveu ir ao barbeiro e pedir para lhe cortarem o rabo. O barbeiro perguntou se tinha a certeza, e como o macaco respondeu que sim, o barbeiro, trás! Cortou-lhe o rabo com uma navalha.

No outro dia, quando o macaco chegou à escola, os meninos riram-se por ele ter o rabo cortado, e chamaram-lhe “o macaco do rabo cortado”. Então, resolveu ir ao barbeiro buscar o seu rabo, mas o barbeiro disse-lhe que já não tinha o rabo, que tinha ido para o lixo. Então o macaco ficou furioso, pegou na navalha do barbeiro e fugiu com ela.

Na rua encontrou uma varina que o viu com a navalha na mão e lhe disse: “ó macaquinho, para que queres tu essa navalha? Não te serve para nada! A mim é que fazia falta para eu amanhar o meu peixe”. O macaco deu-lhe razão e entregou-lhe a navalha. Mas mais tarde, começou a sentir fome e para descascar uma maçã, precisou da navalha. Foi ter com a varina e pediu a navalha, mas a navalha estava partida. Então ficou furioso e levou a canastra das sardinhas da varina.

Quando ia na rua com a canastra de sardinhas, encontrou o padeiro, que lhe disse: “olha coitado, vais tão carregado com as sardinhas, se quiseres eu guardo essa canastra na minha casa.” E assim foi. Agora o macaco sentia-se mais à vontade e podia ir de um lado para o outro, sem ter de transportar as sardinhas. Mas um tempo depois, começou a ter fome. O peixe dava-lhe jeito para comer e por isso resolveu ir buscá-lo a casa do padeiro. Mas o padeiro, com a família, tinha comido as sardinhas. Então furioso, tirou um saco de farinha ao padeiro.

Quando ia pelo caminho com o saco de farinha, encontrou a senhora professora que lhe pediu a farinha para fazer uns bolinhos. Como o macaco não sabia fazer bolinhos com a farinha, deu a farinha à senhora professora. Mais tarde, quando voltou a ter fome, resolveu ir ter com a senhora professora e pedir-lhe alguns bolinhos. Mas os bolinhos já tinham sido todos comidos. Ninguém tinha guardado uns bolinhos para oferecer ao macaco. Então ficou furioso e roubou uma menina da senhora professora.

Só que, para espanto do macaco, a menina começou a chorar. Teve pena da menina e foi levá-la à mãe. Para que é que quereria uma menina? Mas mais tarde, quando chegou a casa e viu tudo desarrumado, pensou que a menina poderia trabalhar para ele e ajudá-lo a limpar e a arrumar a casa e por isso resolveu ir buscá-la. Quando foi buscar a menina, a mãe não lha deu, claro, e então, furioso, levou–lhe a camisa do marido que estava pendurada na corda da roupa.

No caminho, encontrou o músico com uma viola que lhe pediu a camisa. Como a camisa do músico já estava muito velhinha o macaco deu-lhe a camisa. Mas o músico quando foi para casa vestir a camisa, ela rompeu-se, e teve de a deitar fora. Quando chegou a noite e o macaco sentiu frio, quis a camisa de volta, mas o músico já não a tinha porque a camisa tinha–se rompido. Então, tirou a viola ao músico e fugiu.

O macaco subiu então para cima do telhado e cantou:

"Do rabo fiz navalha,
da navalha fiz sardinha,
da sardinha fiz farinha,
da farinha fiz menina,
da menina fiz camisa,
da camisa fiz viola,
e eu vou para Angola".

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FIM
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[Presumo que o macaco fosse angolano e quisesse voltar à sua terra natal. Só assim faz sentido o fim da história. Mas contaram-me outra versão, em que o músico volta para reaver a sua viola, conseguindo apanhar o macaco traquinas. Nesta versão a última frase da cantilena passaria a ser "Vai para o saco, meu grande mariola!", que seria dita pelo músico.]
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Nota: as figuras aqui incluídas encontram-se na estação de Alvalade do Metro de Lisboa e são da artista plástica Bela Silva. Ver http://www.belasilva.com/
Na maioria das estações do Metro de Lisboa podemos encontrar e disfrutar de obras de outros grandes artistas portugueses. Ver http://www.metrolisboa.pt/Default.aspx?tabid=72

10 comentários:

  1. A história é muito engrasada.
    Eu gosto muito! eu também

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  2. claudia almeida de souza28 de agosto de 2011 às 19:50

    eu ouvia uma versão dessa história contada pela minha tia avó baiana e na versão dela o macaco ia sempre para a angola

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  3. a Auxiliar da minha escola contava nos esta história várias vezes e já lá vão mais de vinte sete anos...

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  4. ADOREI JA NAO ME LEMBRAVA DESTA HISTORIA, ANDEI 30 ANOS PARA TRAS NETE MOMENTO , AMINHA MAE CONTAVA-ME

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  5. À tanto tempo que não ouvia esta historia

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  6. a história é emgraçada!

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  7. Esta história já a minha mãe me contava e agora conto-a eu ao meu filho, já lá vão 30 anos. E o meu filho com 7 anos adora-a.

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  8. Adoro esta historia estava escrita no meu livro da primaria
    ja la vao 40 anos .

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  9. Conto essa história e a conto de forma diferente e o título é "O macaco e o barbeiro". É muito bem recebida por todos. Na minha versão, o macaco quer o rabo de volta mas o barbeiro já o jogou no, lixo e o lixeiro levou. Então o macaco começa uma maratona na busca do rabo. Não o acha com o lixeiro, não o acha com o menino, não o acha com a velha. Até que de tanto procurar desiste e volta de onde partiu. O barbeiro o vê e adverte que ele foi em busca de um rabo cortado e nem se deu conta que cresceu outro rabo. Mas como quem conta um conto aumenta um ponto...

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    Respostas
    1. Graça,

      Muito obrigado pelo seu comentário. Não conhecia essa versão da história mas acredito que possam existir várias versões. É uma história muito antiga. Acredito que com pelo menos 100 anos.

      Cumprimentos

      Ricardo

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