domingo, 20 de julho de 2008

Os pêssegos de Fialho de Almeida

Os pêssegos!...
Adorei já uma mulher que gostava deles, e tinha uma graça infinita a mordê-los com os seus brancos dentinhos de roedora. Se, tomando-lhe a barba com as pontas dos dedos, docemente a forçava a vergar-se toda nas costas da cadeira, para na concha rósea da orelha lhe depor algum segredo irritante, a sua vermelha boca, gotejante dos sucos perfumados, matava-me de sede e endoidecia-me de amor. Pobre quinquilharia loira!...
Tamanha voracidade a possuía ante esses frutos voluptuosos e quentes, que de uma vez engoliu os caroços e partiu para o cemitério.
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em A Cidade do Vício de 1882, Sinfonia de Abertura de Fialho de Almeida, Livraria Clássica Editora.

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