segunda-feira, 8 de setembro de 2008

As Pupilas do Senhor Reitor III – Júlio Dinis é reconhecido no teatro em Lisboa




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Ilustração de As Pupilas do Senhor Reitor por Roque Gameiro
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Nas “Cartas e esboços literários” da editora Civilização, encontramos esta descrição do que aconteceu a Júlio Dinis, quando foi ver a peça As Pupilas do Senhor Reitor em Lisboa, em Março de 1868, e tentou passar desapercebido do público.

Carta de Joaquim Guilherme Gomes Coelho (Júlio Dinis) para seu pai no Porto:

Papá

Continuo a passar bem e não posso dizer quando partirei.
As “Pupilas” foram bem desempenhadas e prometem dar à empresa bastantes enchentes.
Do que se passou na noite em que eu lá estive dá conta exacta a notícia que envio, a qual foi publicada por um Diário daqui. Ontem esperavam-me à noite em casa do Mendes Leal, mas como às segundas-feiras é lá reunião de etiqueta, a que se vai de casaca e em rigor, fui para o teatro francês e dei por desculpa que não queria deixar a companhia com quem tinha vindo a Lisboa.
No teatro da Trindade, no sábado, pediu-me o Mendes Leal para ir ao camarote dele, visto este não poder deixar só as senhoras com quem estava. No palco fui cumprimentado por diferentes pessoas, e entre elas, o Chamiço. O Castilho já me veio visitar.
As “Pupilas” foram postas em cena com bastante fidelidade de vestuário e de costumes.
O terceiro acto, na esfolhada, agradou muito, e na verdade estava bastante animado. Foi no final desse acto que me principiaram a reconhecer. No 6º quadro, quando o Reitor acompanha a Margarida e lhe beija a mão, não me deixaram ficar na plateia; obrigaram-me a ir ao palco onde fiquei todo o quadro final.
Peço recomendações a toda a família e ao tio Bernardo.
Peço também que mande entregar ao Dr. Reimão os livros que aí deixei para ele e que se alguém aí for procurar os exemplares da Dissertação do Ilídio, lhe entreguem os que estão em um dos armários inferiores da estante.
Que não esqueça também mandar-me esfregar o quarto.

Seu f.º ob.te

Joaquim

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Júlio Dinis

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