sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Durão Barroso sobre a crise financeira

É um artigo publicado ontem no International Herald Tribune, a edição internacional do New York Times. Chama-se “Para lá das fronteiras” e é assinado pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Traduzimos, não o artigo completo, mas apenas aquilo que nos pareceu o essencial. Para ler e reflectir.

O.artigo.completo.em.inglês.em http://www.iht.com/articles/2008/10/02/opinion/edbarosso.php

A rapidez e a dimensão da crise financeira que se iniciou nos EUA há cerca de um ano, causou ondas de choque em todo o mundo. Ninguém está a salvo. (…)
O que interessa agora é que os dirigentes políticos dêem as respostas adequadas – para parar com a crise no imediato, proteger as poupanças dos cidadãos e assegurar que os negócios tenham suficientes créditos para as suas necessidades, e depois pôr no terreno um melhor sistema de administração para o futuro. (…)
O nosso principal objectivo deve ser restituir a plena confiança no interior do sector financeiro, bem como a confiança do público no sistema financeiro. (…)

Esta semana, a Comissão Europeia está a fazer propostas para a melhoria da qualidade do capital detido pelos bancos e para criar colégios de supervisores para bancos trans-fronteiriços dentro da UE. Nas próximas semanas apresentaremos um novo sistema de regulação das agências de “rating” do crédito.
Quanto mais depressa os estados membros e o Parlamento Europeu adoptarem estas propostas, maior o impacto na recuperação da confiança. (…)

Para além do vasto conjunto de medidas acordadas pelos ministros das finanças e das propostas actuais da Comissão, penso que podemos fazer mais:
Em áreas como a supervisão da UE de bancos trans-fronteiriços, assegurar a concertação e a rapidez na implementação das medidas. Esquemas mais consistentes de garantia dos depósitos em todos os estados membros da UE. E novos mecanismos para avaliação de “activos complexos”, para evitar a volatilidade dos frágeis preços do mercado e para assegurar que os bancos da UE fiquem em condições idênticas uns com os outros, quando falamos por exemplo de temas como a aplicação de regras contabilísticas.
É também necessário aprofundar a questão dos vencimentos dos executivos, a partir das recomendações já elaboradas pela Comissão em 2004. Tivessem elas sido adoptadas mais generalizadamente e teríamos talvez evitado alguns problemas. (…)

Com a nossa experiência de combinar capacidade técnica com visão política, a UE tem muito a oferecer não apenas para os europeus como também para um mundo à procura de um sistema melhor de regulação dos mercados financeiros.
A proposta do Presidente Nicolas Sarkozy para uma conferência internacional é uma ideia excelente: vivemos com o actual sistema mais de 50 anos, mas devemos aos que foram atingidos pela crise, um trabalho sério para encontrar as formas de assegurar estabilidade e prosperidade no futuro.

Sem comentários:

Enviar um comentário