quinta-feira, 18 de junho de 2009

Elogio a Manuel Pinho, Ministro da Economia.

Já neste blogue nos referimos a Manuel Pinho, actual ministro da economia. Na nossa opinião não merece muitas das críticas que lhe têm sido feitas por partidos da oposição, por comentadores políticos (como Marcelo Rebelo de Sousa) e até por membros do PS, como foi noticiado pelo jornal Público, durante a reunião desta terça-feira da Comissão Política do PS.
De referir que não conhecemos o senhor Manuel Pinho e que, nem directa nem indirectamente, temos qualquer interesse que seja, relacionado com ele ou com o ministério que dirige. Mais, embora este blogue procure defender, por princípio, uma postura positiva perante os desafios do país e tenha por isso uma natural benevolência perante governos e governantes, não defende que se deva votar PS nas próximas eleições legislativas (ou o seu contrário). O autor do blogue, não é filiado em nenhum partido político e procura desde o primeiro dia, manter total independência “editorial”, mas isso não tem que significar desinteresse ou descomprometimento relativamente a assuntos chave que a todos nós interessam.
.
Feito este esclarecimento, quero chamar a atenção para um artigo que saíu esta quarta-feira no jornal “Diário Económico”, intitulado “Rede para carros eléctricos lançada em Portugal no final do mês”, com o subtítulo “EDP e Galp integram projecto que prevê 1.300 postos de abastecimento em todo o país em 2011”.
A razão desta notícia foi uma conferência realizada pelo ministro Manuel Pinho na London School of Economics, uma das mais prestigiadas escolas de Economia e Gestão do mundo, intitulada “A New Energy Policy for Portugal”. Em termos de política energética, o caso português está a ser acompanhado a nível internacional com muito interesse. De acordo com aquele jornal económico, Portugal vai ter a primeira rede de abastecimento para carros eléctricos da Europa e estabeleceu um plano com o objectivo de em 2020, a energia renovável constituir 60% da energia consumida. Manuel Pinho que internacionalmente já é reconhecido como o ministro das energias renováveis em Portugal, não tem tido a nível interno idêntico reconhecimento junto dos media e da opinião pública [uma das razões é que Manuel Pinho não é perfeito e talvez pelo seu voluntarismo, revelou “sérias incapacidades de previsão” sobre o fim da crise financeira e as papas matinais não são o seu forte, mas estou tentado a citar o Carlos Magno no Contraditório da Antena 1, quando afirmou recentemente que gostava de “políticos com defeitos”, e nós acrescentamos, sobretudo quando as suas políticas são genericamente correctas. A única crítica que lhe fazemos, é a sua incompreensível para nós, recusa, da energia nuclear].
Ainda recentemente, a Fora TV, um site educacional sobretudo vocacionado para o pensamento estratégico, publicou no YouTube uma pequena prelecção de 4 minutos do Mayor de São Francisco, Gavin Newson, sobre o “carro eléctrico”. A Califórnia, diz ele, é um local de empreendedorismo e de novas ideias. É onde se encontra a primeira empresa do mundo de carros desportivos eléctricos: a Tesla. Um dos países que ele toma por exemplo de possuir um projecto inovador, é Portugal.
Em http://www.youtube.com/watch?v=1w5cizhtrUo



Seja qual a cor do próximo governo e dos compromissos políticos que irá assumir, expressamos os nossos votos de que as políticas da energia iniciadas por Manuel Pinho sejam prosseguidas e desenvolvidas, que não se mude de rumo e se coloque outra vez tudo em causa, deitando a perder o quanto se conseguiu até agora. A quem vier a seguir, recordamos uma vez mais ,que há gente atenta a nível internacional e que a cimeira pós-Quioto de Copenhaga é já em Dezembro. O mundo está a mudar e Portugal não deve ficar para trás.

domingo, 14 de junho de 2009

Acreditar em Angola

Sou um grande fã de anúncios publicitários televisivos. Acho muito difícil concentrar em 30 segundos ou num minuto uma mensagem que permaneça: as imagens têm de ser fortes e poderão funcionar ainda melhor se forem acompanhadas por uma boa música que fique no ouvido. Ora para fazer um bom anúncio, é necessário existirem profissionais sabedores, capazes de ter boas ideias e de as executar. Dos países de língua portuguesa, já não é só nas televisões brasileiras e portuguesas que encontramos anúncios publicitários bem concebidos e bem executados.

Nesta nova Angola em rápido desenvolvimento, encontramos cada vez mais anúncios de grande qualidade. Em primeiro lugar, destaca-se a campanha internacional “Angola I believe”, que está a mudar a imagem de Angola no mundo, mostrando o seu desenvolvimento e as suas espectaculares paisagens naturais. Mas reparem de seguida nos outros anúncios que aqui incluímos e que vão buscar algumas das características mais marcantes dos angolanos: a música, a alegria, a força das suas gentes e claro, a paixão pelo desporto. São anúncios muito bons, de uma nova realidade que cada vez mais é.

[Para ver anúncios angolanos e africanos, vá por exemplo a
http://kandando-angola.forum-livre.com/outras-artes-f29/publicidade-angolana-e-africana-t44.htm
]







segunda-feira, 18 de maio de 2009

200 anos da História de Portugal

Os últimos 200 anos da História de Portugal são muito interessantes. Alguns factos:
- O início do século dezanove começa com as Guerras Peninsulares. É aqui em Portugal que Napoleão perde as suas primeiras batalhas e que a lenda de Wellington se inicia para culminar em Waterloo.
- A fuga da corte de D. João VI para o Brasil, contribuiria para a estruturação do estado brasileiro e o rei independentista do Brasil viria a ser o rei fundador de um Portugal liberal, D. Pedro IV. Um homem notável.
- Até aos anos 40 do século dezanove, tivemos uma consolidação difícil do liberalismo, com revoltas várias, mas que libertaram a sociedade dos exageros religiosos anteriores. A Igreja Católica perdeu para sempre o peso que tivera no Antigo Regime.
- O século dezanove teve um período de grande desenvolvimento com o Fontismo. Foi uma época de ouro, com a construção do caminho-de-ferro, e o estímulo à industrialização. Infelizmente, o rotativismo caciquista entre os dois maiores partidos do regime liberal desacreditou a monarquia liberal, crise que foi agravada no fim do século com o Ultimato.
- Mas os anos de oitocentos deram ao país grandes homens de letras, génios como Garret, Herculano, Castilho, Camilo, Júlio Dinis, Antero, Eça, Cesário Verde, Oliveira Martins ou Ramalho Ortigão.
- A implantação da República em 1910 foi inevitável. Ela começou mal, sob a vergonha de um regicídio dispensável e cobarde. E durante os escassos dezasseis anos que durou, teve de mudar 39 (trinta e nove!) vezes de primeiro ministro. A primeira República correu tão mal, tão mal, que conduziu muitos monárquicos a convergirem na necessidade de uma ditadura militar em Portugal, o que veio a acontecer em 1926.
- Quem emergiu da ditadura militar foi Oliveira Salazar. Podemos distinguir 2 fases do Salazarismo. Numa primeira fase em que o ditador goza de apoio popular maioritário, repõe a autoridade do estado, equilibra as contas do orçamento, salda as contas com o exterior pagando a dívida externa, restaura o abalado patriotismo nacional e conserva com habilidade, Portugal afastado da Segunda Grande Guerra.
- Após a guerra, as virtudes de Salazar transformam-se em defeitos: o autoritarismo não dá lugar à democracia, as contas equilibradas não geram suficiente investimento, o patriotismo soa a exagero falso e a propaganda, Portugal tem um regime pouco respeitado no conjunto dos países nossos aliados. Nos anos 60, Goa, Damão e Diu integraram a União Indiana e com a guerra colonial, num quadro internacional de Guerra Fria, geram-se ainda mais tensões internas e externas.
- O 25 de Abril foi como um saltar da tampa de um regime velho de 48 anos. Durante 2 anos o PREC tudo abanou. Cinco novos países africanos nasceram. Descolonizou-se, nacionalizou-se, saneou-se, colectivizou-se, etc. Muitos empresários fugiram e muitos colonos perderam tudo. Só a partir de 25 de Novembro de 1975 se começa a repor o "estado de direito", um processo de reorganização política que termina em 1981, com a saída dos militares da esfera do poder por eliminação do Conselho da Revolução.
- Com o apoio do FMI e após entrada do país na CEE, tudo se normaliza ao nível das instituições, houve uma notável melhoria das condições de vida, mas este fin de siécle foi algo similar ao de 100 anos atrás: endividamento, rotativismo caciquista que absorve a democracia, mal-estar latente e descrédito público devido a sinais de corrupção e abuso a vários níveis, um poder judicial visivelmente de mãos atadas.
- O século vinte foi outro grande período das letras portuguesas: Raul Brandão, Fialho de Almeida, Aquilino Ribeiro, Fernando Pessoa, Miguel Torga, Sofia de Mello Breyner Andresen, Rodrigues Miguéis, Ferreira de Castro, Alves Redol, Manuel da Fonseca ou Alexandre O’Neill e um prémio Nobel com José Saramago em 1998.
Alguém é capaz de imaginar os próximos 200 anos?

quarta-feira, 11 de março de 2009

Resistir à crise, preparar o futuro.

O sistema financeiro mundial, sem os países se aperceberem, assentou nos últimos anos em valores virtuais (de títulos sem valor), que constituíam uma “bolha” imensa e que implodiu, arrastando consigo economias inteiras que, de um dia para o outro ficaram literalmente “sem valor”. As perdas são irrecuperáveis. Nada, a não ser uma outra bolha igualmente perversa, poderia a curto prazo repor os valores perdidos.
A seguir ao sistema financeiro, sucederam-se as quebras nos sectores económicos cujas vendas mais dependiam do crédito: habitação e automóveis. O investimento quase paralisou. O consumo teve fortíssimas quebras. Tudo isto obrigou os governos a intervirem na economia, apoiando as empresas, o investimento e o consumo.

Mesmo assim à nossa volta tudo parece desmoronar: a Espanha tem o dobro do desemprego de há um ano e prevê-se que possa chegar a 20%, a Irlanda e os países de Leste, de tigres económicos europeus e tidos como modelo para a nossa economia, passam agora pelas ruas da amargura, quase falidos.

Pires de Lima da Unicer já dizia no princípio deste ano que a palavra chave era “resistir” e que as empresas portuguesas já tinham uma experiência de sobrevivência de vários anos de crise, e se calhar por isso, até poderiam estar melhor preparadas que algumas das suas congéneres estrangeiras. Soares dos Santos lançou em plena crise uma Fundação, e prometeu que este ano tudo seria feito para não haverem despedimentos na Jerónimo Martins. As ovelhas negras da economia portuguesa de há uns anos, empresas públicas como a CGD, a EDP, a PT e a GALP, são hoje sólidas jóias preciosas. O país está a tentar “resistir”. A nível privado e público.
As empresas exportadoras para os mercados europeus parecem ser as que mais estão a sofrer, em particular algumas de capital estrangeiro como é o caso da Qimonda e da Peugeot-Citroen de Mangualde (oxalá nada de mal aconteça à Auto-Europa).

A visita do presidente angolano [Angola, agora senhora de si própria, é novamente o El Dourado] e a prioridade dada à CPLP, Brasil incluído, mostra que nos estamos a orientar economicamente para os espaços onde naturalmente as nossas competências são maiores, mercê da língua e cultura comuns. Outro exemplo de resistência “boa” são os investimentos programados para o sector da educação. “Resistir” à crise, é também aproveitar a possibilidade de agora podermos gastar um pouco mais, para investirmos no futuro, como são também um bom exemplo os investimentos nas energias renováveis [ver abaixo notícia do canal de tv canadiano CBC sobre Portugal].

Justificar completamente