quarta-feira, 11 de março de 2009

Resistir à crise, preparar o futuro.

O sistema financeiro mundial, sem os países se aperceberem, assentou nos últimos anos em valores virtuais (de títulos sem valor), que constituíam uma “bolha” imensa e que implodiu, arrastando consigo economias inteiras que, de um dia para o outro ficaram literalmente “sem valor”. As perdas são irrecuperáveis. Nada, a não ser uma outra bolha igualmente perversa, poderia a curto prazo repor os valores perdidos.
A seguir ao sistema financeiro, sucederam-se as quebras nos sectores económicos cujas vendas mais dependiam do crédito: habitação e automóveis. O investimento quase paralisou. O consumo teve fortíssimas quebras. Tudo isto obrigou os governos a intervirem na economia, apoiando as empresas, o investimento e o consumo.

Mesmo assim à nossa volta tudo parece desmoronar: a Espanha tem o dobro do desemprego de há um ano e prevê-se que possa chegar a 20%, a Irlanda e os países de Leste, de tigres económicos europeus e tidos como modelo para a nossa economia, passam agora pelas ruas da amargura, quase falidos.

Pires de Lima da Unicer já dizia no princípio deste ano que a palavra chave era “resistir” e que as empresas portuguesas já tinham uma experiência de sobrevivência de vários anos de crise, e se calhar por isso, até poderiam estar melhor preparadas que algumas das suas congéneres estrangeiras. Soares dos Santos lançou em plena crise uma Fundação, e prometeu que este ano tudo seria feito para não haverem despedimentos na Jerónimo Martins. As ovelhas negras da economia portuguesa de há uns anos, empresas públicas como a CGD, a EDP, a PT e a GALP, são hoje sólidas jóias preciosas. O país está a tentar “resistir”. A nível privado e público.
As empresas exportadoras para os mercados europeus parecem ser as que mais estão a sofrer, em particular algumas de capital estrangeiro como é o caso da Qimonda e da Peugeot-Citroen de Mangualde (oxalá nada de mal aconteça à Auto-Europa).

A visita do presidente angolano [Angola, agora senhora de si própria, é novamente o El Dourado] e a prioridade dada à CPLP, Brasil incluído, mostra que nos estamos a orientar economicamente para os espaços onde naturalmente as nossas competências são maiores, mercê da língua e cultura comuns. Outro exemplo de resistência “boa” são os investimentos programados para o sector da educação. “Resistir” à crise, é também aproveitar a possibilidade de agora podermos gastar um pouco mais, para investirmos no futuro, como são também um bom exemplo os investimentos nas energias renováveis [ver abaixo notícia do canal de tv canadiano CBC sobre Portugal].

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Justificar completamente

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