segunda-feira, 18 de maio de 2009

200 anos da História de Portugal

Os últimos 200 anos da História de Portugal são muito interessantes. Alguns factos:
- O início do século dezanove começa com as Guerras Peninsulares. É aqui em Portugal que Napoleão perde as suas primeiras batalhas e que a lenda de Wellington se inicia para culminar em Waterloo.
- A fuga da corte de D. João VI para o Brasil, contribuiria para a estruturação do estado brasileiro e o rei independentista do Brasil viria a ser o rei fundador de um Portugal liberal, D. Pedro IV. Um homem notável.
- Até aos anos 40 do século dezanove, tivemos uma consolidação difícil do liberalismo, com revoltas várias, mas que libertaram a sociedade dos exageros religiosos anteriores. A Igreja Católica perdeu para sempre o peso que tivera no Antigo Regime.
- O século dezanove teve um período de grande desenvolvimento com o Fontismo. Foi uma época de ouro, com a construção do caminho-de-ferro, e o estímulo à industrialização. Infelizmente, o rotativismo caciquista entre os dois maiores partidos do regime liberal desacreditou a monarquia liberal, crise que foi agravada no fim do século com o Ultimato.
- Mas os anos de oitocentos deram ao país grandes homens de letras, génios como Garret, Herculano, Castilho, Camilo, Júlio Dinis, Antero, Eça, Cesário Verde, Oliveira Martins ou Ramalho Ortigão.
- A implantação da República em 1910 foi inevitável. Ela começou mal, sob a vergonha de um regicídio dispensável e cobarde. E durante os escassos dezasseis anos que durou, teve de mudar 39 (trinta e nove!) vezes de primeiro ministro. A primeira República correu tão mal, tão mal, que conduziu muitos monárquicos a convergirem na necessidade de uma ditadura militar em Portugal, o que veio a acontecer em 1926.
- Quem emergiu da ditadura militar foi Oliveira Salazar. Podemos distinguir 2 fases do Salazarismo. Numa primeira fase em que o ditador goza de apoio popular maioritário, repõe a autoridade do estado, equilibra as contas do orçamento, salda as contas com o exterior pagando a dívida externa, restaura o abalado patriotismo nacional e conserva com habilidade, Portugal afastado da Segunda Grande Guerra.
- Após a guerra, as virtudes de Salazar transformam-se em defeitos: o autoritarismo não dá lugar à democracia, as contas equilibradas não geram suficiente investimento, o patriotismo soa a exagero falso e a propaganda, Portugal tem um regime pouco respeitado no conjunto dos países nossos aliados. Nos anos 60, Goa, Damão e Diu integraram a União Indiana e com a guerra colonial, num quadro internacional de Guerra Fria, geram-se ainda mais tensões internas e externas.
- O 25 de Abril foi como um saltar da tampa de um regime velho de 48 anos. Durante 2 anos o PREC tudo abanou. Cinco novos países africanos nasceram. Descolonizou-se, nacionalizou-se, saneou-se, colectivizou-se, etc. Muitos empresários fugiram e muitos colonos perderam tudo. Só a partir de 25 de Novembro de 1975 se começa a repor o "estado de direito", um processo de reorganização política que termina em 1981, com a saída dos militares da esfera do poder por eliminação do Conselho da Revolução.
- Com o apoio do FMI e após entrada do país na CEE, tudo se normaliza ao nível das instituições, houve uma notável melhoria das condições de vida, mas este fin de siécle foi algo similar ao de 100 anos atrás: endividamento, rotativismo caciquista que absorve a democracia, mal-estar latente e descrédito público devido a sinais de corrupção e abuso a vários níveis, um poder judicial visivelmente de mãos atadas.
- O século vinte foi outro grande período das letras portuguesas: Raul Brandão, Fialho de Almeida, Aquilino Ribeiro, Fernando Pessoa, Miguel Torga, Sofia de Mello Breyner Andresen, Rodrigues Miguéis, Ferreira de Castro, Alves Redol, Manuel da Fonseca ou Alexandre O’Neill e um prémio Nobel com José Saramago em 1998.
Alguém é capaz de imaginar os próximos 200 anos?

4 comentários:

  1. Ricardo:
    Muito bem feito este seu resumo dos passados 200 anos da nossa História.
    Quanto a imaginar, o que serão os próximos 200, não sou capaz e também não sei se quero.
    Como devo ter pouco tempo para ver, prefiro não me assustar mais do que já estou.
    Prefiro o passado com todos os erros. O presente já é pouco promissor e o futuro... Dá-me pesadelos.
    Abraço amigo.

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