sábado, 15 de maio de 2010

André Brun: II - Bibliografia.

Bibliografia de André Brun, de acordo com a lista da Guimarães, no livro “Os meus domingos”, terceira série, 2º milhar, de 1926, ano de falecimento do autor:

PROSA
1910- Dez contos em papel – 10º milhar.
1913- Sem pés nem cabeça – 7º milhar.
1914- Cada vez pior – 7º milhar.
1915- Sem cura possível – 7º milhar.
1915- Soldados de Portugal. A guerra peninsular. A legião portuguesa – 3º milhar no prelo.
1916- Folhinha de qualquer ano – 6º milhar no prelo.
1916- Praxedes, mulher e filhos – 8º milhar.
1917- Outra vez Praxedes – 7º milhar no prelo.
1918- A malta das trincheiras. Migalhas da grande guerra – 12º milhar.
1923- Sumário de várias crónicas – 4º milhar.
1924- Os meus domingos. Primeira série. Ilustrações de Francisco Valença – 4º milhar.
1925- Filosofia de Felix Pevide – 4º milhar.
1926- Os meus domingos. Segunda série. Ilustrações de Francisco Valença – 4º milhar.

VERSO
1917- Almas dum outro mundo – 2º milhar.
1923- Histórias em verso. Ilustrações de Francisco Valença – Edição especial numerada e assinada pelos autores – Primeiro e único milhar.

TEATRO
1916- Quatro peças num ato. Código penal, art.***, Ano novo, vida velha. Cavalheiro respeitável. O primo Isidoro. – 3º milhar no prelo.
1922- A vizinha do lado. Comédia em quatro atos – 3º milhar.
1923- A vida dum rapaz gordo. Comédia em três atos – 3º milhar.
1923- Auspicioso enlace. Comédia em três atos. Em colaboração com Carlos Selvagem – 2º milhar.
1926- O Pinto calçudo. Farsa em três atos. Em colaboração com Ernesto Rodrigues – 3º milhar.

As edições aqui referidas representam 100 mil livros, de 1910 a 1926, o que é notável para a época. Não conheço outro nome das nossas letras, que tenha vendido tantos livros durante a Primeira República. E no entanto André Brun foi quase esquecido. É hoje muito pouco referenciado. Surge citado sobretudo quando se fala do teatro, em especial por causa da sua peça “A maluquinha de arroios” e quando se fala de cinema, por causa da adaptação para filme da sua peça “A vizinha do lado” – o filme foi realizado em 1945, na época de ouro do cinema português por António Lopes Ribeiro e conta com grandes atores como António Silva, Ribeirinho, Carmen Dolores e António Vilar, entre outros.
Ver em http://pauloborges.bloguepessoal.com/47466/CARTAZ-DO-FILME-A-VIZINHA-DO-LADO/


O único livro que merece por vezes alguma atenção é “A malta das trincheiras. Migalhas da Grande Guerra”, o maior sucesso editorial de André Brun, que foi herói da Flandres e bem conheceu aquela realidade. No site da SPA, Sociedade Portuguesa de Autores, também encontramos o nome de André Brun, como um dos seus ilustres fundadores em 1925.
A editora “Livraria Civilização” publicou alguns livros de Brun nos anos 30 e acrescenta á lista de livros acima citada os seguintes:

PROSA
A Sogra do Barba Azul
Namoro alfacinha
Procópio Baeta

TEATRO
A Maluquinha de Arroios – Comédia em três atos.

À exceção deste último título, publicado por esta editora na sua “Colecção Civilização – Série Amarela”, com o número 8, desconheço se os outros títulos foram também por ela publicados. Desta coleção, sei no entanto que foram ainda publicados: com o número 34, “Contos humorísticos”; número 35, “Contos sentimentais”; número 69, “Domingos escolhidos” e número 100, “Entrevistas de ontem”.

Encontrei diversos livros de André Brun publicados pela editora “Casa do Livro” nos anos 40, numa coleção de “Obras Completas”. Desconheço se a editora chegou a publicar todos os seus livros.

Sei ainda do livro “Consultório psicológico. Doenças do coração e miolo”, de 1935, das edições Gleba. E é tudo.

Julgo que só consultando o arquivo da Biblioteca Nacional, poderemos ter uma visão mais completa da obra de André Brun.

Brun era um penetrante observador da realidade e um excelente escritor. Não compreendo o porquê de contos humoristas e comédias, serem considerados géneros menores na arte de escrever. Acaso alguém menoriza Mark Twain por ter sido humorista? Sobre esta tema, Brun inclui na abertura de “Cada vez pior”, um texto bastante cáustico de Gaston de Pawlowski (1874-1933), escritor francês:
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“É na verdade costume entre a burguesia literária considerar o humor como o mais fácil de todos os géneros. É um pouco como as solteironas de província, que se consolam da sua virtude imaginando que, se elas se quisessem oferecer, como outras, aos diretores dos teatros, seriam hoje grandes atrizes. É da mesma forma que igualmente se consolam as gentes honestas da sua mediocridade, imaginando que, naturalmente, se tivessem escolhido ser bandidos dos grandes caminhos, poderiam ter sido milionários. Os pontífices literários consolam-se, da sua nulidade, imaginando que afinal de contas, se tivessem renunciado às orações fúnebres e às pesquisas históricas, teriam podido alcançar triunfos fáceis no humor.(...)”
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O texto é em francês e aplica-se tanto ao caso francês como ao português (a medíocre tradução é da minha responsabilidade), e um bom exemplo disso é a intelligentzia do burgo não ter considerado suficientemente André Brun: não é incluído em antologias literárias e não é lido nem lembrado e no entanto, o Realismo/Naturalismo português fica mais vivo e rico com a leitura dos seus textos. Mas, acima de tudo, uma leitura hoje de André Brun continua a fazer rir e a confortar o coração.

Ver também André Brun (1881-1926): I - Autobiografia.
e André Brun: III - epílogo.

--Este artigo foi escrito em conformidade com o novo acordo ortográfico (com a ajuda dos programas Word e Flip)--

1 comentário:

  1. Olá! Deixo um convite: Junte-se a nós no dia 10 de Junho, no Convento dos Frades Franciscanos, em Trancoso, num duplo evento: «Encontro de Bloggers e lançamento do livro "Aldeias Históricas de Portugal – Guia Turístico". Para estar presente, envie um mail para aminhaldeia@sapo.pt a solicitar o formulário de inscrição e o programa das festividades. Faça-o com antecedência, pois as inscrições são até dia 2 de Junho.

    Abraço
    Lena

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