domingo, 30 de maio de 2010

Simonetta Luz Afonso do “Projecto Farol”: Indústrias da Língua valem 17% do PIB.

Simonetta Luz Afonso declarou no último “Expresso da Meia Noite” da SIC Notícias que “as Indústrias da Língua valem 17% do PIB”. Esta valorização foi obtida, de acordo com um levantamento realizado pelo ISCTE. Procurei na Net e verifiquei que esse estudo tinha sido elaborado em 2008 (ver.por.exemplo.em.
http://www.instituto-camoes.pt/encarte-jl/lingua-portuguesa-representa-17-do-pib.html). Fiquei espantado! Sei por experiência própria a importância da língua comum, em países africanos de língua oficial portuguesa, em Macau e Timor Leste e claro, nas relações com o Brasil, mas 17%? (Ora deixa-me lá ver quanto valem as exportações para estes países. Pois é. Só aí quase 2% do PIB, e está muito por fazer).
No dia seguinte no Plano Inclinado, foi Ernâni Lopes que voltou a sublinhar o valor de setores identificados pela SAER (ver http://www.saer.pt/index.php) como “cidades e desenvolvimento”, “ambiente”, “turismo” e o já famoso ”hipercluster do mar” como alguns dos grandes potenciais de crescimento do país. Todos estes potenciais lidam com aspetos por vezes difíceis de valorizar em termos económicos, como a língua, a geografia, o clima, a história, as atividades locais tradicionais, os hábitos alimentares, a idiossincrasia das pessoas, os monumentos, etc. Fatores que para um economista “clássico” como eu, são errada e frequentemente vistos como intangíveis e quase marginais. Não que não dê importância á “cultura”, este blogue é a prova, mas porque não me recordo por vezes da absoluta necessidade da cultura acompanhar o desenvolvimento e, mais do que isso, dela ser em si mesma, um motor desse desenvolvimento. Obrigado por me terem lembrado disso a Simonetta Luz Afonso, ao Projeto Farol (ver em http://www.projectofarol.com/) e ao ISCTE (ver em http://iscte.pt/).
Para reforçar esta tomada de consciência, saiu no New York Times deste Domingo um longo artigo intitulado “Portugal Old, New and Undiscovered”
(ver em http://travel.nytimes.com/2010/05/30/travel/30Douro.html) sobre o Douro e o Porto, onde o autor, Frank Bruni, tem dificuldade em descrever a admiração que sentiu ao visitar a região, provar os vinhos, saborear a comida, passear pelas ruas, conhecer as igrejas, etc. Entre vários outros, são referenciados a Quinta do Vallado e o restaurante Casa do Aleixo, a viagem de comboio da Régua ao Pocinho, a alheira transmontana, e claro, as magníficas vinhas do Douro. Estou convencido que se pudesse ter lido na língua original, os escritores do Norte, como Eça ou Torga, ficaria ainda mais maravilhado.
Cultura e Língua, são tesouros de Portugal.

--Este artigo foi escrito em conformidade com o novo acordo ortográfico (com a ajuda dos programas Word e Flip)--

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