sábado, 17 de julho de 2010

A crise I: tudo começou nos Estados Unidos com o “subprime”.

Nos Estados Unidos, o “subprime”, empréstimo bancário com juro mais caro que o empréstimo normal (ou “prime loan”), é o único recurso daquelas pessoas que necessitam recorrer ao crédito, mas que não dispõem de bens ou de fontes de rendimento capazes de assegurar perante a banca, um empréstimo normal. Têm por isso de pagar um juro mais alto.
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. Durante a era Clinton, a economia florescia, a bolsa atingia números recorde e o défice do orçamento federal estava controlado. Lançou-se então um programa que oferecia a promessa de “uma casa para cada americano”. Como? Tornando possível, através das agências governamentais Fannie Mae e Freddie Mac, oferecer garantias à banca, de pagamento dos créditos em regime “subprime”. Os angariadores de crédito, agentes bancários, desataram então a conceder empréstimos a eito, ao abrigo dessas garantias governamentais, mesmo a pessoas de poucos rendimentos, muitos notoriamente incapazes de vir a conseguir pagar no futuro, as quantias assumidas. Foi um sucesso estrondoso. O “subprime” chegou a atingir em certos anos, 80% dos novos empréstimos para a habitação.

A banca americana embarcou nesta loucura por dois motivos, essencialmente. Primeiro, porque no mercado habitacional americano, os imóveis estavam sempre a valorizar. Se alguém não pudesse pagar as suas prestações, a banca vendia a casa e recuperava o valor do empréstimo. Segundo, porque a dívida era titulada e colocada no mercado bolsista com juros muito atrativos, permitindo financiar a operação. Toda a gente estava feliz e contente.

Na realidade o esquema não era sustentável. O mercado habitacional atingiu um ponto de saturação, os preços cairam e os bancos começaram a ter sérios problemas com os incumprimentos de pagamentos das prestações do subprime. O governo federal, ainda na altura de W. Bush, foi obrigado a intervir injetando dinheiro (Bail Out) na Fannie Mae e na Freddie Mac, mas as casas continuaram a baixar de preço. E depois foi pior. Os investidores da bolsa começaram a fugir dos títulos que davam liquidez à operação, ora muitos bancos tinham comprado esses ativos e assim a perda foi dupla e rápida. A falência do banco de investimentos Lehman Brothers, quarto maior dos EUA, com mais de 150 anos, em 15 de Setembro de 2008, alertou o mundo para um grande problema do sistema financeiro e pode-se dizer que, pelo menos em termos mediáticos, marcou o início da crise financeira americano-europeia.

É claro que as coisas estão aqui um tanto simplificadas. Temos um enquadramento económico difícil nos Estados Unidos, com a ascensão dos países emergentes – em especial da China, as guerras no Iraque e no Afeganistão pós 11 de Setembro, a habilidade de Greenspan – então presidente da Reserva Federal (o banco central americano), hoje um homem arrependido, e claro, a irresponsabilidade e vigarice, da parte de alguns gestores financeiros. Julgo no entanto, ter feito uma síntese do mais importante.

Ver também A crise II: a infeção alastra à Europa.
e A crise III: Portugal.

--Este artigo foi escrito em conformidade com o novo acordo ortográfico (com a ajuda dos programas Word e Flip)--

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