domingo, 14 de novembro de 2010

O TEDxLisboa com António Barreto – “Números e Ideias" e uma pequena reflexão

O PORDATA e a coleção de pequenos livros de ensaios a preços acessíveis, são duas grandes iniciativas da Fundação Francisco Manuel dos Santos, patrocinada pela família de Francisco Manuel dos Santos, proprietária do Grupo Jerónimo Martins (Pingo Doce, Feira Nova, Biedronka na Polónia, etc.). António Barreto é o Presidente do Conselho de Administração da FFMS.

O TED é uma pequena organização sem fins lucrativos dedicada a “Ideias Que Mereçam Divulgação”. Começou em 1984 como uma conferência que juntava pessoas de três origens: tecnologia, entretenimento e design. Desde então os temas tratados alargaram-se a outras áreas. Realizam-se duas conferências anuais nos EUA durante a Primavera, uma em Long Beach e outra em Palm Springs na Califórnia, e uma conferência TEDGlobal no Verão, em Oxford no Reino Unido.

O TEDx é um programa concebido para dar às comunidades, organizações e indivíduos, oportunidade de estimularem o diálogo através de experiências do tipo TED, a nível local. O TEDxLisboa realizou-se no passado dia 20 de Setembro e contou com a participação, entre outros, de António Barreto da FFMS.


Esta apresentação de António Barreto, remeteu-me para um gráfico apresentado no colóquio Dívida Pública - Causas, Consequências e Perspectivas de Evolução, organizado pela Comissão de Orçamento e Financas da Assembleia da República, no dia 19 de Outubro. Para mim, uma das melhores discussões realizadas sobre economia portuguesa nos últimos anos. O gráfico, da Dívida Pública em % do PIB, foi apresentado por Carlos Fonseca Marinheiro da UTAO - Unidade Técnica de Apoio Orçamental, Universidade de Coimbra [Os períodos históricos fui eu que introduzi, para facilitar a leitura].


Só na ditadura Salazarista de 1926 a 1974, a dívida pública portuguesa é controlada. Nos períodos mais ou menos democráticos, Monarquia Liberal, Primeira República e Pós-25 de Abril, o país parece ser governado por políticos economicamente incapazes que comprometem a soberania do país. Dizia a revista LIFE em 11 de Agosto de 1947 num artigo sobre Portugal, pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial: ”Hoje o escudo português e o franco suíço, são as moedas mais fortes da Europa”.

Como diz António Barreto, os números são factos indesmentíveis, a interpretação dos mesmos, é que nos coloca no campo das ideias e essas é que valem a pena debater. Por isso, cito na mesma revista LIFE, um outro artigo publicado sete anos antes, em 29 de Julho de 1940, que dizia ser a população portuguesa “terrivelmente pobre”: “70% da população é ainda iletrada. As pessoas comuns vivem de peixe, pão e vinho e dois terços andam descalços”. Era quanto custava a vida nesses tempos. Quem os viveu e ainda está vivo, lembra-se.

Será que estamos condenados a ser governados em ditadura, ou se em democracia, por demagogos irresponsáveis? Faltam-nos políticos democráticos que denunciem o discurso da facilidade, tenham os pés na terra e se comportem como líderes de um progresso com bases sólidas, promovendo o trabalho, o estudo, a poupança, os valores da responsabilidade, capazes de dar exemplos de frugalidade para si e para os seus governos e administrações.

António Barreto compara os números com as fotografias. Estas velhas fotos dos anos 40 e 50, são imagens que podem hoje parecer apenas românticas, mas são dum passado a que não queremos voltar, que há que lembrar e compreender.




























































































































































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