sábado, 4 de dezembro de 2010

A propósito do falecimento de Ernâni Lopes (1942-2010)

Este blogue, embora principalmente construído em torno da cultura e dos livros, tem refletido muitas vezes, preocupações sociais e económicas. Criado em Março de 2007, publicava em Janeiro de 2008 um artigo intitulado O “cluster” do mar onde era referido o trabalho de Ernâni Lopes e da SaeR – Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco. Nessa altura, o blogue incluiu, na sua primeira página, uma hiperligação ao sítio da SaeR. Em Junho deste ano, após a magistral lição de economia de Ernâni Lopes no programa Plano Inclinado de 12-06-2010, acrescentou-se no blogue a hiperligação ao programa de Mário Crespo e de Medina Carreira e os quadros aí apresentados. Do que foi dito, o mais importante, foi a explicação de Ernâni Lopes de como a cultura e a formação do caráter dos indivíduos, precede e determina a atividade económica, fazendo lembrar Max Weber. Depois, atirou-nos à cara, todos os nossos vícios. Impiedosamente.
Ernâni Lopes era dos raros economistas portugueses com pensamento estratégico, com uma ideia do que deveria ser Portugal. Talvez possamos encontrar um ou outro com essa preocupação, mas nenhum com a sua experiência, profundidade e autoridade. Durante o excelente Colóquio Dívida Pública - Causas, Consequências e Perspetivas de Evolução, organizado pela Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República, no passado dia 19 de Outubro, Silva Lopes teve um honesto desabafo, dizendo que “todos queremos crescimento económico, mas não sabemos como o havemos de conseguir”. Ernâni Lopes vai-nos fazer muita falta. Oxalá os seus escritos sejam estudados e o seu exemplo frutifique.

2 comentários:

  1. Aqui deixo também um voto de saudade a esse ilustre Português e economista que foi Ernâni Lopes.
    Felizmente tive a honra de o conhecer e até de privar com ele algumas vezes.
    Deixo também aqui os meus parabéns a este blog, que hoje descobri e se pauta por uma grande distinção.

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  2. Caro Augusto Canedo,
    Obrigado pelas suas palavras.
    Cumprimentos,
    Ricardo Esteves

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