domingo, 5 de dezembro de 2010

Um grande Porto


Uma agradável surpresa, o novo Croft Pink (na verdade lançado em 2008, mas só há pouco tempo reparei nele), que vem ocupar um espaço vazio, em especial junto do público mais jovem. Mais leve que um tradicional Ruby, deve ser bebido como um vermute ou um martini, frio e com uma rodela de limão, e ainda assim conserva o travo doce comum ao Vinho do Porto. Recentemente, sugeri no blogue de Eric Asimov (um dos mais lidos comentadores de vinhos do mundo, na coluna do New York Times, que lamentava a falta de renovação do Vinho do Porto) que experimentasse o Croft Pink [Eric Asimov é sobrinho do celebérrimo autor de ficção científica Isaac Asimov].

A Croft incentiva o uso do Croft Pink em cocktails, fornecendo no sítio http://www.croftpink.com, um conjunto de receitas para cocktails, dos mais simples aos mais elaborados. Asimov lamentava precisamente no seu artigo do New York Times, o pequeno consumo do Vinho do Porto no dia-a-dia, por exemplo em cocktails, e que a imagem do Vinho do Porto estava demasiado ligada a pessoas de idade. Até agora a minha utilização do Vinho do Porto era também algo limitada: preferia o Fonseca Bin 27 depois do jantar, e em ocasiões especiais como aniversários e Natal, um tawny de 20 anos, da Taylor ou da Burmester. Julgo que o Croft Pink tem em si potencial para criar um novo conceito de utilização do Vinho do Porto e conquistar novos e mais jovens consumidores. Que me desculpem os mais puristas.

E porque uma surpresa nunca vem só, a Taylor, a Croft e a Fonseca, associadas na Fladgate Partnership abriram o hotel The Yeatman.

O principal negócio deste grupo familiar é a produção e comercialização de Vinho do Porto, e foi iniciado há três séculos em 1692. Mas a Fladgate Partnership tem também elevada experiência na indústria hoteleira. Em meados dos anos 90, abriu o primeiro hotel de nível mundial no Vale do Douro, uma propriedade Relais & Châteaux que ajudou a promover a região do Vinho do Porto como um destino vinícola de luxo. A Fladgate Partnership detém ainda a Três Séculos, empresa que gere um restaurante de alta qualidade e realiza serviços de banquetes. A experiência e mestria do grupo na produção do melhor vinho e na gestão de hotelaria de luxo estão agora unidas fazendo do The Yeatman um dos melhores hotéis vínicos do mundo. É como que um santuário da Vinhoterapia. Situa-se em Gaia, com uma vista maravilhosa sobre a fantástica cidade, capital do Douro e do Norte que é o Porto. Tem oitenta e dois quartos!

Já agora aproveito para clarificar que não tenho quaisquer interesses ligados à Fladgate Partnership, nem conheço estes senhores de lado nenhum(x). Alfacinha dos sete costados como sou, adoro o Porto e o caráter empreendedor e independente do seu povo. Aprecio as tradições individualistas da burguesia portuense, tão bem retratadas por Garret ou por Júlio Dinis, e limito-me a observar como os empresários do Norte continuam ativos, com iniciativas de grande qualidade, em muitas áreas da economia portuguesa.

(x) Serão, segundo me apercebi, empresários britânicos há muito ligados a Portugal e ao Vinho do Porto e empresários portugueses.

2 comentários:

  1. Caro Ricardo Esteves:
    Efectivamente todas as marcas de Vinho do Porto vivem esse grande problema que é o de não estarem a conseguir chegar ao público alvo mais jovem do nosso País.
    Os jovens portugueses vivem com o corpo em Portugal e a cabeça no estranjeiro, isto por razões profundas que não vem ao caso agora
    aqui debater.
    É lamentável ver a nossa juventude, nas noites de qualquer cidade portuguesa, consumir brandies, whiskies, vodkas e tequillas, e não se lembrar do Vinho do Porto, que também pode ser preparado de muitas formas joviais e apelativas, mas que não faz parte do seu imaginário.
    Que fazer?
    Sei, de fonte própria, que o assunto está a ser estudado pelas grandes marcas deste prestigiado produto nacional.
    Ver agora esta iniciativa da Croft é para mim fonte de grande contentamento.

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  2. Caro Augusto Canedo,as suas palavras sugerem-me a seguinte reflexão:
    Não sendo especialista no sector do grande consumo, e apesar de ser um admirador da estratégia de "clusterização" - desculpe o estrangeirismo, mas não me ocorre outra palavra - da Fladgate Partnership, parece-me que as nossas empresas ligadas ao Vinho do Porto estão habituadas a promover os seus produtos sobretudo para níveis sociais médios-altos e para grupos etários bem acima das idades juvenis.
    Julgo que uma empresa como a Unicer, saberia melhor como resolver uma questão destas no mercado interno. Mas o Vinho do Porto é também um produto global, e para o mercado internacional talvez, por exemplo, a Sogrape, soubesse como fazer.
    Vejo isto mais como uma "vaquinha" entre várias empresas e diferentes competências. Estamos aqui a falar da necessária renovação do Vinho do Porto. É apenas uma percepção de quem, como eu, vê isto por fora.
    Cumprimentos
    Ricardo Esteves

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