sábado, 15 de janeiro de 2011

Os velhos e os novos de Júlio Brandão

Em "Obras de Júlio Brandão - Memórias e Crítica Literária"

Impressionou-me vivamente este pequeno livro, integrado nas Obras de Júlio Brandão (*) editadas pela Imprensa Nacional. Interessante, principalmente para quem se debruça sobre a cultura portuguesa dos finais do século dezanove e princípios do século vinte.

O texto intitulado Os “Velhos” e os “Novos”, é bem demonstrativo da pujança artística e literária nos idos anos de 1890, na cidade do Porto. Era nos cafés como o ‘Camanho’, o ‘Suiço’ ou o ‘Águia de Ouro’ que se reuniam nomes das letras como "(...) António Nobre, D. João de Castro, Alberto de Oliveira, Adolfo e Eduardo de Artayett, D. Alberto Bramão, João Barreira, Raul Brandão, Augusto de Mesquita, José Carlos Lopes, Justino de Montalvão, José Sarmento, João Saraiva, Manuel de Moura, os irmãos Lemos (Joaquim e António), Oliveira Passos (...),  João Grave e Campos Monteiro (...)."

A estes “novos”, juntavam-se os "mais antigos, em plena celebridade, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro, que fazia longas estadias no Porto, e acamaradava gentilmente com os rapazes, a quem ia recitando, de quando em quando, algumas das maravilhosas poesias dos Simples, ainda inéditas; Manuel Duarte de Almeida de quem (...) se publicaram as admiráveis poesias completas, Terra Azul; os médicos e escritores eminentes, Maximiano de Lemos, Júlio de Matos e Ricardo Jorge; Joaquim de Araújo; Henrique Marinho; Basílio Teles; José Pereira de Sampaio (Bruno); Luís de Magalhães, que completava o magnífico poema D. Sebastião; Augusto Gama, seu irmão Guilherme, cujas Prosas Simples haviam consagrado como um dos nossos contistas mais notáveis.
Aparecia ainda António Feijó nas suas férias diplomáticas, e Queiroz Ribeiro, que publicava as Tardes de Primavera, tão floridas e iluminadas de excecional talento.
Nas belas-artes, Moreira de Sá, António Arroio, Joaquim de Vasconcelos, Cirilo Carneiro, Manuel Ramos; Miguel Ângelo, cuja ópera Eurico levantara discussões tumultuosas; António José da Costa, o mestre encantador dos frutos e das flores; Marques de Oliveira; o gravador Molarinho (...); Artur Loureiro (...); Teixeira Lopes (...).
Ricardo Severo e Rocha Peixoto lançavam magnificamente a sua Portugália. No jornalismo, basta recordar alguns nomes: Rodrigues de Freitas, José Caldas, Emídio de Oliveira, João de Oliveira Ramos, João Chagas, Luís Botelho. Artistas novos, que depois tanto se valorizaram, António Carneiro, Cândido da Cunha, Júlio Ramos, Cristiano de Carvalho, Inácio de Pinho, o malogrado caricaturista Celso Hermínio... E são apenas os que me acodem à lembrança, ao traçar estas linhas desordenadas e rápidas."

Alguns destes nomes, têm tido referências aqui no blogue. São os casos de D. Alberto Bramão, Raul Brandão,  Campos Monteiro ou António Feijó, outros são bem conhecidos, outros ainda, nunca ouvi falar. Vejamos por exemplo, Marques de Oliveira: os seus quadros podem ser admirados no Museu Soares dos Reis do Porto, que vale a nossa visita por Marques de Oliveira, Silva Porto e claro, Soares dos Reis - para não referir todas as colecções e grandes obras em exposição permanente naquele museu, que justificam visita detalhada. O meu quadro preferido da exposição de Marques de Oliveira é 'Interior (costureiras trabalhando)', de 1884, do qual destaco em especial um pormenor que, por si só, daria um quadro notável.





































(*)  Júlio Brandão: escritor, nasceu em 1869 em Famalicão, e faleceu no Porto em 1947. 

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