segunda-feira, 14 de março de 2011

Portugal e a China

Não é por demais afirmar que demos ao mundo consciência de si próprio: a humanidade ficou a saber quem era, como era e onde estava. A permanência de portugueses em muitas possessões coloniais desde os séculos 15 e 16 até ao século 20, século de todas as descolonizações, bem como os contactos exclusivos com muitos povos, catapultaram-nos para o papel de observadores privilegiados, quando não de atores, de acontecimentos históricos únicos. Referindo apenas as relações com a China, tenho em mãos dois livros:

-  O Diário do Padre Tomás Pereira, S.J. – Os Jesuítas e o tratado Sino-Russo de Nerchinsk (1689), de Joseph Sebbes, S.J.
O autor é Jesuíta. o S.J. após o nome revela ser membro da Sociedade de Jesus - em português chamamos Companhia de Jesus. Sebbes foi professor da Georgetown University em Washington, uma grande e conceituada escola católica-jesuíta dos EUA. Bill Clinton frequentou-a.
O livro de Sebbes foi escrito em 1961, apresenta o texto original do Padre Tomás Pereira, enquadra e comenta o diário, revelador do papel que este padre português desempenhou como enviado do imperador chinês, na assinatura do primeiro acordo de paz sino-russo, em 1689. É uma narrativa impressionante e apaixonante, a do diário deste jesuíta português.
Deveria ter, no mínimo, citação obrigatória nos livros de história do ensino secundário.
A tradução portuguesa é de Helena Maria Campos Borges da Cunha Leite Novais, de 1999, edição da Comissão Territorial de Macau para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e do Instituto Cultural de Macau.

- O Cruzador “República” na China em 1925, 1926 e 1927, do Comodoro Guilherme Ivens Ferraz, Comandante em Chefe das Forças Navais Portuguesas no Extremo Oriente.
Grande parte do livro é constituída pela análise da situação que se vivia na China naquela altura. É um período de grande conflitualidade interna. Os chineses apresentavam-se divididos de Norte a Sul. Além disso, potências ocidentais, russos e japoneses intervinham na China. No meio destas convulsões, a posição de Portugal foi sempre muito difícil. Portugal, tradicional amigo da China, do Japão e da Inglaterra, com poucos meios para a defesa do pequeno território de Macau, procurava, através dos responsáveis locais, com habilidade e no meio de muitas dificuldades, garantir a inviolabilidade das suas possessões.
A edição é do Ministério da Marinha, de 1932.

Há um projeto que se fala desde há muito: Portugal tem uma plataforma geográfica ideal para se constituir como um interface marítimo entre a Europa, a Ásia, a América e a África. A nossa relação histórica com muitos povos de todos os continentes, deveria ser um capital facilitador da criação desse interface logístico. Será que isto faz sentido? Há quem ache que sim.

Sem comentários:

Enviar um comentário