sábado, 21 de abril de 2012

“O Estudante de Coimbra” de Guilherme Centazzi


O Estudante de Coimbra ou Relâmpago da História
Portuguesa desde 1826 até 1838 pelo
Dr. Guilherme Centazzi

O romance é de 1840 da autoria de um médico algarvio, filho de pai italiano. No livro, conta-se uma história de amor de um estudante de Coimbra, que se torna membro da maçonaria, e se vê envolvido nas lutas civis que ocorreram em Portugal entre 1826 e 1838.

Até agora, Eurico, o Presbítero de Herculano e o primeiro volume de o Arco de Sant’Ana de Garrett, eram tidos como os primeiros romances do romantismo, em português moderno, isto é, com uma forma de escrever praticamente igual à que usamos hoje (curiosamente os dois romances tinham o centro da sua ação na Idade Média). Mas o romancista e estudioso Pedro Almeida Vieira redescobriu o esquecido romance de Centazzi, que nos dá uma visão mais próxima no tempo, do período da luta entre os partidários da monarquia constitucional e os partidários do absolutismo. O herói do romance é, está bem de ver, um monárquico constitucionalista.

A introdução de Pedro Almeida Vieira ajuda a perceber Centazzi e o seu romance, e as 313 notas que incluiu no livro muito enriquecem a compreensão do texto. O posfácio de Maria de Fátima Marinho é uma importante ajuda adicional para enquadrar a obra.

Algumas críticas a esta edição do livro - a edição é da editora Planeta, de Barcelona: (1) o leitor comum não sabe quem é Maria de Fátima Marinho, por isso teria sido útil uma breve apresentação com uma foto, por exemplo, na contracapa - através da internet descobrimos tratar-se de uma professora catedrática da Faculdade de Letras do Porto, estudiosa da literatura portuguesa; (2) também não se perderia nada em fazer igual apresentação para Pedro Almeida Vieira; (3) não faz sentido ter uma parte do livro conforme com o Acordo Ortográfico e outra não; (4) as notas deviam ter sido colocadas no fim de cada página - é uma chatice para quem lê, estar sempre a virar páginas, para consultar mais de trezentas notas finais.

Foi acertado incluir como aditamento ao original de 1840, os capítulos acrescentados em 1861, em substituição de outros. Como leitor, gosto mais da última versão de Centazzi. Tem um final menos palavroso e mais feliz que a primeira. Gostos são gostos.

Lê-se com muito prazer este excelente romance. Ele agrupa-se com outros romances oitocentistas, que contam histórias de amor ocorridas durante as lutas liberais, como Viagens na Minha Terra de Garret e Mário de Silva Gaio. Embora dos três, prefira o último, que pelo ritmo e pela emoção, descrevo como um verdadeiro livro de aventuras, o livro de Centazzi tem uma leitura fácil e interessante.

Em suma, parabéns a Pedro Almeida Vieira e à editora Planeta. A descoberta e edição de O Estudante de Coimbra de Guilherme Centazzi, o primeiro romance moderno português, é provavelmente o acontecimento literário mais importante em Portugal, depois do Nobel de Saramago.

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