sábado, 19 de janeiro de 2013

A Ilha Terceira sem a base das Lajes: algumas ideias para os Açores

Base das Lajes, Terceira, Açores. Ver aqui outras fotos.


A prevista redução da atividade e do pessoal americano em 2014, na base das Lajes da Ilha Terceira nos Açores, constitui um grave problema para a economia local e regional. Recordei-me por isso, do artigo publicado pela revista Monocle em Outubro de 2012 sobre os Açores, em que a região era apresentada como sendo “possivelmente o recurso mais subavaliado e subaproveitado do mundo”. 
É raro encontrar um texto tão otimista sobre a região açoriana como este. São apresentadas 10 sugestões criativas para a região:

1- Centro de Conferências
A cimeira entre Blair, Bush e Aznar antes da guerra do Iraque, demonstrou que a região oferece condições únicas de segurança para as mais importantes reuniões internacionais. As grandes organizações, como a Nato, o G20, a Organização Mundial do Comércio, enfrentam problemas graves de segurança quando se reúnem. A localização do arquipélago entre as Américas e a Europa e a sua óbvia segurança, seria simplificadora da logística de eventos desta natureza. Os Açores poderiam constituir um local habitual de reuniões destas organizações.

2- Prisão
Desde há muito tempo que as ilhas são usadas como  solução para colocar infraestruturas prisionais. São conhecidas as histórias de Napoleão na Ilha de Santa Helena ou de Papillon na Ilha do Diabo. São exemplos a prisão de Alcatraz em São Francisco nos Estados Unidos, uma prisão de segurança máxima, construída sobre a pequena ilha do mesmo nome ou em Portugal, durante a ditadura do Estado Novo, a prisão do Tarrafal, na Ilha de Santiago em Cabo Verde. Esta é uma hipótese menos simpática, mas muitos autarcas sabem da importância para a economia local da logística de uma prisão. Os Açores teriam condições para oferecer serviços prisionais acessíveis a instâncias internacionais como o Tribunal Penal Internacional, para presos da Europa, de África e das Américas.

3- Rede Lusófona de Notícias
Na América, em África, na Europa, na Ásia e na Oceânia somos 250 milhões de falantes do Português. É uma das mais faladas línguas do mundo. Tal como a Al Jazeera revolucionou a cobertura noticiosa do Médio Oriente, um canal global de língua portuguesa poderia lançar uma luz fresca e nova sobre o Brasil, Angola, Moçambique e outros.  

4- Reserva e incubadora de vida selvagem
O clima temperado dos Açores favorece as condições para ser um local transitório de criação de espécies ameaçadas, antes dos conservacionistas prepararem um regresso aos seus ambientes naturais. O elefante asiático, a pantera-nebulosa, o orix cimitarra, o lobo-guará e o panda gigante, são espécies em risco que poderiam inclusive enriquecer a experiência dos turistas (muitos para observar as baleias) que visitam os Açores.

5- Observatório/plataforma de lançamento espacial
Os Açores dispõem já de uma estação da Agência Espacial Europeia (AEE) com antena de 5,5 metros na Ilha de Santa Maria. Esta antena segue os voos da AEE lançados da Guiana Francesa. Possuir aqui um local de lançamento poderia ser talvez, a resposta europeia ao porto espacial da Virgin Atlantic em construção no Novo México para turistas espaciais. Além disso, atrairia muitos turistas para assistir aos lançamentos. 

6- Universidade da Lusofonia
Já existe a Universidade dos Açores, destacando-se a área dos estudos oceanográficos. Mas as ilhas poderiam oferecer um centro educativo para toda o espaço lusófono. Engenheiros brasileiros ensinando estudantes angolanos a extrair petróleo, professores de gestão e de economia de Cabo Verde ensinando estudantes moçambicanos.

7- Construção Naval
O arquipélago tem a localização ideal para ser uma estação de serviço dos navios que servem o Atlântico Norte. Ora, Portugal tem grande tradição e know-how na construção e reparação naval. Um investimento deste tipo nos Açores teria toda a razão de ser.

8- Agricultura biológica
Já existe um bom exemplo nos Açores, o excelente chá Gorreana, produzido sem herbicidas, fungicidas e pesticidas. A tradição açoriana de pequenas unidades agrícolas familiares, o conhecimento da agricultura – um terço da população trabalha neste setor – facilitaria o projeto de tornar o arquipélago num centro europeu de agricultura biológica. Os Açores produzem 30% do leite em Portugal e 50% do queijo. Com um pouco de mais investimento, poderia adquirir escala a nível europeu.

9- Energias renováveis
Em nenhuma outra parte, se têm condições tão favoráveis para o aproveitamento das energias renováveis do vento, das marés, das ondas e do sol. Cerca de 52% da eletricidade consumida pelos açorianos é produzida pela central geotérmica da Ribeira Grande em São Miguel. Os Açores contam dentro do projeto Green Islands com a colaboração do MIT, produzir 75% da sua energia com base nas renováveis. Porque não aumentar essa produção e exportar?

A Casa do Ouvidor. Projecto turístico de qualidade em
São Roque do Pico, Ilha do Pico, Açores. Ver aqui.
10- Um destino turístico agradável
Sobre este assunto limito-me ao título. Qualquer um que conheça os Açores sabe dessas inúmeras e diversificadas potencialidades.

11- Aquacultura, em especial a maricultura
Este tema não foi abordado pela Monocle e é da minha responsabilidade. Estou a pensar nas condições extraordinárias dos Açores para esta atividade. Veja-se o sucesso europeu dos galegos, por exemplo com as ostras, caríssimas e exportadas por avião para toda a parte.

Estou certo que algumas destas ideias são aplicáveis não apenas aos Açores, mas também ás ilhas da Madeira e de Cabo Verde. O que por vezes é necessário é colocar no terreno as condições mínimas para facilitar a iniciativa e o empreendedorismo. Políticos e empresários apostados no desenvolvimento e no crescimento, com os pés na terra, mas com visão.

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