sábado, 23 de março de 2013

Política da Papoila

Quadrilha (por Carlos Drummond de Andrade)

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Bastou uma semana depois de termos falado dos problemas do dólar para surgir a trapalhada no Chipre. É claro que ninguém quer pagar os dislates do paraíso fiscal cipriota ou dos países que desbarataram as suas economias por culpa própria. Ninguém. Nem Merkel, nem Hollande, nem SPD alemão, nem ninguém na Europa. Como de costume, os pobres (de espírito) que se amanhem.

Os bancos europeus sujeitos às novas regras da União Bancária poderão talvez sobreviver, mas terão limitações para comprar o lixo especulativo das obrigações do tesouro dos países sob programas de ajustamento. Por isso, os estados já debilitados não terão sequer apoio dos seus bancos nacionais, e irão procurar quem os quiser comprar fora da zona Euro. Ou então, o que me parece mais ajuizado, encontra-se uma forma de, à bruta, com penas criminais e de uma vez por todas, acabar com esta loucura das políticas e políticos da papoila. São os especialistas em ilusões, eleitos por desesperados e enganados, que gastam o dinheiro que o Estado não tem. São muitas vezes reeleitos, ao contrário da gente séria, tipo Monti, como se viu em Itália. Os palhaços têm mais sucesso, que me desculpem os palhaços. 

Para se manter a política da papoila, há uma sugestão igualmente ilusória: sair do Euro. E o país seria feliz até ao fim dos tempos, dizem. E eu a pensar que para criar valor, leia-se PIB, tínhamos de trabalhar mais e melhor. Pergunto apenas: se substituir uma moeda por outra faz os países ricos, porque é que por exemplo os países africanos, tão pobres, já não o fizeram?

domingo, 17 de março de 2013

O dólar americano como moeda de reserva mundial, está cada vez mais em causa

Obama: a esperança comprometida.

No ambiente que se vive hoje em Portugal, com uma gravíssima e prolongada recessão e elevadíssimas taxas de desemprego, quase nem acompanhamos o que se passa lá fora. Seguimos com atenção, porque nos interessa, a crise do Euro, mas por exemplo, pouca gente tem referido a perda da posição do dólar americano como reserva de valor a nível mundial.

Não imaginamos como uma perda de confiança no dólar nos poderá afetar, mas muito provavelmente se a maior economia do mundo, cronicamente deficitária, passar a ter de equilibrar as suas contas com o exterior, as consequências para o comércio mundial serão devastadoras e ofuscarão os efeitos da crise de Novembro de 2008.

 O atual Presidente Obama, na campanha da sua primeira eleição era muito crítico do despesismo do Presidente Bush por causa do montante da dívida do Estado Federal se aproximar de 10 triliões de dólares. Arrisca-se a duplicar essa verba no final do seu segundo mandato, e atingir os 20 triliões.

Alguns países, como os BRICS, têm negociado que as suas trocas internacionais sejam realizadas sem recorrer ao dólar e o próprio FMI tem vindo a propor alternativas. É com muita pena que assisto à presidência de Obama estar a contribuir com o aumento de dívida para o enfraquecimento do dólar. 

Quando foi eleito, Obama representava um sinal de esperança para o desenvolvimento da economia americana. Essas imensas expectativas foram defraudadas e embora o presidente tenha sido re-eleito, nem de perto nem de longe existiu na última campanha eleitoral o entusiasmo pelo presidente que existiu na sua primeira eleição. Muitos americanos já se aperceberam do risco que corre a manutenção dos padrões de vida que têm mantido. Grandes jornais económicos como o Financial Times e o Wall Street Journal têm alertado para este risco. Por causa deste cenário, compreende-se a desvalorização do dólar face ao Euro.

Em Julho de 2011 Obama disse “contrary to what some folks say, we're not Greece, we're not Portugal”. Depois da S&P ter cortado o triplo A dos Estados Unidos, e a Fitch e a Moody’s estarem a seguir essa classificação porque definiram já um “outlook” negativo, falta pouco para a austeridade chegar aos EUA. 

Como todos temos estado a aprender da pior maneira na Grécia e em Portugal, estados que apostam no crescimento das suas dívidas para além do sustentável, caminham para o desastre. Ora, a dimensão da economia de um país, mesmo da maior economia do mundo, não isenta o estado desta regra.
Em todos os países com dívida excessiva, o que ainda precisamos de aprender é como podemos tornar sustentável as despesas do estado e do país, equilibrando despesas e receitas, importações e exportações, e simultaneamente manter o emprego a níveis socialmente aceitáveis, ainda que isso nos possa custar perdas salariais.

terça-feira, 12 de março de 2013

O Solar do Bitoque: provavelmente o melhor bitoque de Portugal.


Claro que não tenho a pretensão de conhecer todos os bitoques portugueses. Ninguém conhece porque é tarefa impossível. É um prato típico, portuguesinho da Silva e são muitos os milhares de locais onde é servido. Talvez uma vida a comer um bitoque todos os dias em sítios diferentes não chegasse. Mas não conheço nenhum bitoque tão bom quanto este d’ O Solar do Bitoque. É um grupo de restaurantes/cervejarias populares em Sintra, Cacém, Torres Vedras, Mafra e Cascais. O termo popular não quer significar de menor qualidade, aliás o bitoque é qualquer coisa de excecional. Só conheço o Solar do Bitoque de Cascais. É mesmo junto à entrada da praça onde se encontra o edifício da Câmara Municipal de Cascais. Aqui vão umas fotos e a morada (ver no final a minha Declaração Formal de Interesses).


O bitoque desta casa é um bife fino, de carne magra sem gordura, que nos tapa o prato por completo. Por cima, é colocado um ovo estrelado e um simples e delicioso molho de alho. Como já não cabe mais nada no prato, as batatas fritas de palito são servidas em travessa à parte. Para nos mostrar como esta gulodice é feita, o Solar do Bitoque resolveu fazer um pequeno vídeo que aqui trago. Poderão pensar o que quiserem, mas nada substitui a experiência que é comer um bitoque destes. Atrevo-me a dizer que é melhor que chocolate e o preço é uma agradável surpresa. Em Cascais, então, o Solar do Bitoque é dos locais onde se pode comer bem, sair de barriguinha cheia e com a camisa ainda vestida. Quando faz bom tempo, a esplanada é muito agradável. Pessoalmente, desde que sejam locais limpos e civilizados, prefiro os ambientes popularuchos e informais das nossas cervejarias tugas, a muito restaurante “seleto”. É algo que nos põe logo à vontade. Além do seu bitoque fora de série, servem outras coisas boas. Vão ver à página da internet do Solar dos Bitoques.



Declaração Formal de Interesses:
Assumo pretender que a empresa O Solar do Bitoque e seus colaboradores, tenham grande sucesso, e continuem assim durante muitos e bons anos a servir-me o seu excelente bitoque.

domingo, 3 de março de 2013

O Papa Figos, mais um grande tinto da Casa Ferreirinha

(pequeno vídeo com o Papa Figos)

Já todos conhecemos os tintos da Casa Ferreirinha que são do melhor que se faz em Portugal. Temos uma oferta que vai do Esteva, um belíssimo vinho de consumo corrente, barato e popular, até à gama intermédia que se inicia com o excelente Vinha Grande. Daí para a frente é sempre a subir até culminar no Rolls Royce dos vinhos portugueses, o Barca Velha. 

Havia porém um vinho que faltava no catálogo da Casa Ferreinha. O Esteva custa à volta de 3 euros e o Vinha Grande 10 euros. Fazia falta um vinho de preço entre 5 e 6 euros, personalizado, de qualidade entre o bom e o excelente. O Papa Figos é esse vinho. Como consumidor já escolhi o Papa Figos 2011, como o meu vinho de eleição para este ano e aconselho todos a prová-lo.

Ter optado pelo nome de um pássaro, uma ave migratória que frequenta a Quinta da Leda onde nasce este nectar, é uma agradável surpresa. Valoriza o local de origem do vinho e permite um rótulo de bonito efeito, mantendo embora o design e “lettering”comuns aos vinhos Ferreirinha. É muito com base nestes detalhes que avaliamos o profissionalismo e o cuidado dos produtores de bens de consumo final. Nisso, a Casa Ferreirinha e a Sogrape sabem ser exemplares desde há muitos anos.

À Saúde de todos!