domingo, 17 de março de 2013

O dólar americano como moeda de reserva mundial, está cada vez mais em causa

Obama: a esperança comprometida.

No ambiente que se vive hoje em Portugal, com uma gravíssima e prolongada recessão e elevadíssimas taxas de desemprego, quase nem acompanhamos o que se passa lá fora. Seguimos com atenção, porque nos interessa, a crise do Euro, mas por exemplo, pouca gente tem referido a perda da posição do dólar americano como reserva de valor a nível mundial.

Não imaginamos como uma perda de confiança no dólar nos poderá afetar, mas muito provavelmente se a maior economia do mundo, cronicamente deficitária, passar a ter de equilibrar as suas contas com o exterior, as consequências para o comércio mundial serão devastadoras e ofuscarão os efeitos da crise de Novembro de 2008.

 O atual Presidente Obama, na campanha da sua primeira eleição era muito crítico do despesismo do Presidente Bush por causa do montante da dívida do Estado Federal se aproximar de 10 triliões de dólares. Arrisca-se a duplicar essa verba no final do seu segundo mandato, e atingir os 20 triliões.

Alguns países, como os BRICS, têm negociado que as suas trocas internacionais sejam realizadas sem recorrer ao dólar e o próprio FMI tem vindo a propor alternativas. É com muita pena que assisto à presidência de Obama estar a contribuir com o aumento de dívida para o enfraquecimento do dólar. 

Quando foi eleito, Obama representava um sinal de esperança para o desenvolvimento da economia americana. Essas imensas expectativas foram defraudadas e embora o presidente tenha sido re-eleito, nem de perto nem de longe existiu na última campanha eleitoral o entusiasmo pelo presidente que existiu na sua primeira eleição. Muitos americanos já se aperceberam do risco que corre a manutenção dos padrões de vida que têm mantido. Grandes jornais económicos como o Financial Times e o Wall Street Journal têm alertado para este risco. Por causa deste cenário, compreende-se a desvalorização do dólar face ao Euro.

Em Julho de 2011 Obama disse “contrary to what some folks say, we're not Greece, we're not Portugal”. Depois da S&P ter cortado o triplo A dos Estados Unidos, e a Fitch e a Moody’s estarem a seguir essa classificação porque definiram já um “outlook” negativo, falta pouco para a austeridade chegar aos EUA. 

Como todos temos estado a aprender da pior maneira na Grécia e em Portugal, estados que apostam no crescimento das suas dívidas para além do sustentável, caminham para o desastre. Ora, a dimensão da economia de um país, mesmo da maior economia do mundo, não isenta o estado desta regra.
Em todos os países com dívida excessiva, o que ainda precisamos de aprender é como podemos tornar sustentável as despesas do estado e do país, equilibrando despesas e receitas, importações e exportações, e simultaneamente manter o emprego a níveis socialmente aceitáveis, ainda que isso nos possa custar perdas salariais.

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