sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Lições gregas para 2015


A recente crise política na Grécia culminou na marcação de eleições antecipadas para 25 de Janeiro de 2015. Alguns cenários são prováveis:
1. Vitória da coligação da esquerda radical, Syriza, favorita nas sondagens, com maioria para governar, só ou com a ajuda de pequenos partidos.
2. Vitória dos conservadores da Nova Democracia, atualmente no poder, com maioria para governar, só ou com a ajuda de pequenos partidos, como hoje acontece.
3. Nenhum partido consegue maioria suficiente para governar e são necessárias novas eleições no curto prazo, como sucedeu em 2012.

O Dracma Perdido. James Tissot (pintor francês, 1836-1902)
O resultado das eleições legislativas de 2012, quando muitos esperariam a vitória do Syriza, mostrou que os eleitores se decidiram afinal pelo voto na Nova Democracia, agora mais desgastada após dois anos no poder com políticas de austeridade e uma taxa de desemprego a caminho dos 30%.

Compreende-se melhor em 2014 o Syriza. Ele vem ocupar o espaço político dos socialistas gregos do PASOK, que caíram em desgraça (clientelismo, corrupção, etc.) e que apenas conseguiram 12% dos votos em 2012. Ao contrário do que muitos julgam fora da Grécia, o Syriza não defende abertamente a saída do Euro. Critica fortemente os partidos conservadores e sociais-democratas tradicionais e advoga transformações económicas estatizantes. Muitos dos seus aliados internacionais são partidos assumidamente comunistas, de tendência “moderada”.

A opinião pública grega não quer mais austeridade. Ao mesmo tempo a maioria dos gregos não assume pretender sair do Euro (ao contrário de alguns pequenos partidos, como o Partido Comunista Grego, KKE – ainda stalinista, e dos fascistas da Aurora Dourada, que valiam cada um cerca de 5-6% do eleitorado em 2012).

São evidentes os riscos que a Grécia corre com a vitória do Syriza ou com um período de instabilidade política prolongado. O aumento dos juros da dívida e a fuga de capitais pode conduzir no curto prazo à insolvência do Estado. Com o Syriza no poder, o regresso ao Dracma será uma via a considerar. O Syriza opõe-se às políticas económicas em vigor na Europa. A “neutralidade” internacional que o Syriza advoga talvez obrigue a Grécia a sair da NATO, levantando outros problemas, designadamente com os militares gregos. Esperamos não voltar ao tempo dos golpes de estado militares na Grécia.

Soube-se em Novembro que a Grécia tinha saído da recessão em que esteve mergulhada durante quase seis anos, mas o discurso otimista da Nova Democracia parece ser precipitado. A crise económica, social e política grega é mais grave que a portuguesa e assim como está, não se compreende como possa ser gerível. Por isso, sejam quais forem os partidos a ganhar as próximas eleições na Grécia, há roturas que precisam de ser assumidas. A coligação no poder, sobretudo a Nova Democracia, mas também o PASOK, precisam reinventar novas e corajosas propostas políticas apontadas para o crescimento da economia e para a resolução da gravíssima taxa de desemprego. Têm já muito pouco tempo para o fazer e convencer os eleitores até ao dia da eleição.

Está-se mesmo a ver que acredito no cenário 1, a vitória do Syriza, como sendo o mais provável. Será interessante seguir a forma como os governos europeus e as autoridades europeias, Comissão e BCE, irão reagir aos acontecimentos na Grécia.

Seja o que for que se passar nestes meses mais próximos, haverá lições a tirar do caso grego em 2015. À atenção dos portugueses que irão este ano a eleições. Votos de um Bom Ano de 2015.

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